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Auto-foco: Sally Cruikshank

O Auto-Foco é um post que vai ao ar toda quarta-feira e traz, a cada semana, um artista em destaque. Seja animador ou motion designer, conhecido ou desconhecido, grande ou pequeno, vivo ou extinto; se for talentoso, o Auto-Foco o fará jus.

Sally Cruikshank

Sally Cruikshank nunca teve limites pra imaginação e isso está expresso em sua obra. Ela é responsável por alguns dos mundos e personagens mais loucos e extraordinários do cinema de animação. Basta uma breve passada de olhos em seus filmes pra pensar: Wtf?! É uma completa viagem psicodélica, quebras de padrões, de perspectivas e suas animações são banhadas de um surrealismo sem fim criativo. Cruikshank é inspiração pra muitos animadores contemporâneos, principalmente animadores independentes. Isso porque a maioria de seus filmes foi feito na raça! Sim, seus filmes são, em sua maioria, independentes, feitos com baixíssimo orçamento.

Tendo como inspiração grandes artistas como Crumb, Fleischer e McCay, e combinando seu próprio sentido de humor distorcido, Cruikshank criou uma porção de personagens antropomórficos, criaturas heterogêneas, perpassando aquela linha tênue entre o mundo real e o mundo marginal.

Sally Cruikshank nasceu em Chatham , Nova Jersey. Começou sua carreira como animadora independente enquanto estudante universitária na década de 1970. Em 1975, enquanto trabalhava em San Francisco para Snazelle Films, escreveu, projetou, dirigiu e animou (com apenas uma assiste) Quasi at the Quackadero, um curta-metragem surreal com personagens vibrantes e indistintos. O curta é sua obra-prima e foi incluído no livro The 50 Greatest Cartoons.

Nos anos seguintes, Cruikshank continuou fazendo filmes independentes, contribuindo com aberturas para grandes filmes. Trabalhou com o animado programa infantil Sesame Street e mergulhou no começo da era da internet. Seu trabalho foi introduzido no National Film Registry e exibido no Museu de Arte Moderna de Nova York. 

Em 1978 Cruikshank lança em 35mm “Make Me Psychic”, onde retorna com as personagens Quasi e Anita, de Quasi at the Quackadero, e adiciona o suave Snozzy. Esse foi uma das animações com maior orçamento que Cruikshank fez, US$14.000,00. Com um olhar mais maduro, Cruikshank disse:

“as pessoas não sabiam como digerir Quasi at the Quackadero, então eu pensei em simplificar as coisas, dando ao próximo filme um olhar mais claro e simples.”

Em 1987 Cruikshank lança “Face Like a Frog”, que demonstra uma evolução clara em seu estilo de animação.

Em uma entrevista Cruikshank fala sobre seu estilo de animação:

Eu acho que tenho um conceito de movimento diferente da maioria dos animadores. Uma coisa que me incomoda sobre tantos animadores contemporâneos é que eles aprenderam um tipo de linguagem de outros animadores e não conseguem sair disso. Você vê os mesmos movimentos de mão, o mesmo “pisca pisca” dos olhos quando uma personagem faz uma pergunta. Muitos animadores não tentam imaginar e extravazar a dinâmica do movimento e usá-lo criativamente. Eu não sou tão boa animadora assim, mas acho que tenho um senso de movimento que traz uma visão diferente de mundo.”

Mesmo que Sally Cruikshank ainda não seja um nome tão conhecido, ela é responsável por algumas das animações mais inovadoras da história do cinema norte americano. Seu trabalho se destaca com a mesma alegria que tem em si mesma. Cruikshank deixa tudo acontecer em suas animações e tudo bem.

 

 

 

 

 

 

 

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