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A péssima situação da animação hollywoodiana – Ctrl+Alt+N

Nota do Layer Lemonade: essa é uma tradução livre do artigo original “The Disappointing State of Hollywood Animation”, publicado no blog Animation Alley por William Li .

Enquanto nos preparamos para receber outra sequência desnecessária de Carros, bem como a Illumination dispara novamente a máquina de propagando Minion para Meu Malvado Favorito 3 e a Sony anuncia desdenhosamente The Emoji Movie, com piadas ridículas e literais, não posso deixar de me sentir decepcionado na forma triste que a indústria de animação dos EUA está no momento.

Eles podem ser filmes distintos de diferentes estúdios, mas por fim, são moldados para a mesma audiência familiar. Toda grande animação blockbuster produzida na América do Norte atualmente, é feita em computação gráfica, com tom fantasia-comédia, mirando na audiência familiar. Há pouca diversidade, e com críticas muito variadas esses blockbusters têm pouco mérito artístico.

Claro que nem tudo de animação que é produzido em Hollywood é ruim. Dois anos atrás, desfrutei tremendamente do Inside Out da Pixar. O problema, no entanto, é que a indústria está em uma rotina. Aparentemente, já que esse tipo de animação-CG-para-família vende, a indústria não vê necessidade de fazer nada mais e insiste em trabalhar exclusivamente dentro desses parâmetros.

O problema é que isso reforça o estereótipo incorreto de que Animação é apenas um gênero, ou que é exclusivamente para ser usado para entretenimento infantil. Também ofusca artistas e some com a diversidade criativa. Os estúdios de animação, antes produtores da mais pura e fina arte, tornaram-se fábricas de produtos corporativos(e de fato, quando se trata dos impérios de franquias de vários bilhões de dólares como Carros, o “produto corporativo fabricado” se manifesta literalmente).

A Pixar pode ter revolucionado a indústria em 1995 com o inovador Toy Story – que rapidamente matou a fórmula musical da Disney e levou à diversificação do mercado, incentivando o surgimento de novos concorrentes como DreamWorks e Blue Sky -, mas hoje as coisas estão praticamente estagnadas novamente, com salas de cinema de portas giratórias que te levam de um blockbuster-de-animação-CG-para-família para outro.

 

Sendo justo, existem diversas opções para aqueles que sabem onde procurar – Aardman, Laika e GKIDS lançam filmes de espectro mundial e artesanais de vez em quando. São filmes como Song of the Sea e O Menino e o Mundo que restauram minha fé na animação, especialmente em um momento em que a Pixar pensa que Toy Story 4 é uma boa idéia. No entanto, o GKIDS e outros estúdios independentes, não possuem o marketing e comercialização dos grandes estúdios, que, infelizmente, estão tentando neutralizar o GKIDS alterando as regras de nomeação para o Oscar, já que, aparentemente, é mais fácil desligar a concorrência do que competir de forma justa.

Esta não é, no entanto, apenas uma questão de blockbusters versus filmes estrangeiros e independentes. A questão é que os estúdios estão se limitando, e mesmo que um ocasional Inside Out ou How to Train Your Dragon apareça e ofereça ótimas experiências, os estúdios ainda estão perdendo o incrível potencial que a animação tem. Embora todos não necessitem adotar a abordagem Laika ou GKIDS, já podemos ver os resultados de animações mais maduras e diversificadas hoje em dia, no Japão e na televisão.

No Japão, filmes como Mononoke Hime, The Wind Rises e Your Name lideram as bilheterias em seus respectivos anos de lançamento. No entanto, mesmo sendo todos filmes muito diferentes – um épico de fantasia histórico, um drama biográfico e um suspense romântico de ficção científica -, é isso que contrasta vivamente com a já chatíssima fórmula animação-CG-para-família que caracteriza Hollywood.

Mesmo na televisão da América do Norte, há animações como South Park ou Rick e Morty, além de conteúdos orientados para crianças, como Arthur ou Adventure Time. Tenho certeza de que South Park e Rick e Morty estão funcionando bem financeiramente, porque, de outra forma, eles não continuariam sendo renovados para mais temporadas. Portanto, não há absolutamente nenhuma razão sólida para os estúdios de animação americanos evitarem fazer o mesmo quando se trata de filmes.

Na última década, diria que o mais próximo que Hollywood chegou a diversificar sua animação foi em 2007 com The Simpsons Movie e Sausage Party de 2016. É uma pena que, apesar do sucesso desses dois filmes, Hollywood ainda não pode reconhecer o enorme potencial que existe para a animação.

Em um mundo ideal, adoraria ver os grandes estúdios perceberem que há muito mais para a animação do que apenas filmes infantis infinitos que geram brinquedos. A animação tem um incrível potencial para fazer todo tipo de coisas diferentes, como já vimos no Japão, na televisão e com os “ocasionais Simpsons Movie”. A última vez que a indústria estagnou e posteriormente foi transformada, foi na década de 90 quando todos, exceto a Pixar, estavam muito ocupados ordenhando a “fórmula musical da Disney” para perceber o potencial da animação CG.

Hoje, a animação CG se encontra em uma rotina similar – e, da mesma forma, isso torna as condições perfeitas para que alguém revolucione a maneira como fazemos a animação.


Fonte – Animation Alley

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