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O retorno financeiro do motion design

Quanto cobrar por este projeto? Esta é uma questão que a maioria dos motion designers e animadores iniciantes têm dificuldade para responder. Neste artigo, vou refletir sobre uma perspectiva que me parece ser negligenciada pelos profissionais ao precificar um trabalho: quanto vale seu projeto baseado no quanto ele gera de retorno para o cliente! Você pensa nisso?

Muitos clientes querem pagar pouco pelo trabalho porque não conseguem ver a possibilidade de retorno com determinado projeto. É triste dizer isso mas, muitas vezes, essa possibilidade realmente não existe ou é muito pequena. O problema é que os próprios motion designers têm dificuldade de assumir isso.

Um equívoco muito comum é a ideia de que um vídeo de animação ajudaria uma empresa a “vender mais” por si só. Acontece que a decisão de compra é algo muito complexo e ninguém decide adquirir um produto porque viu um vídeo bonito. O que pode gerar vendas é a estratégia por trás da concepção daquele vídeo. Portanto, motion graphics só vai gerar vendas se ele for baseado numa estratégia de marca e, por isso, os clientes que não querem pagar pelo seu trabalho, são os clientes que não têm este planejamento estratégico. E para estes, uma animação não vai mesmo gerar muito lucro.

Nós, como motion designers, não temos know-how para sermos estrategistas, mas certamente, para entendermos o real valor do nosso trabalho, é preciso entender o que são estratégias de branding. Branding é, de forma simplificada, todos os sentimentos que o público tem por uma marca. A identidade visual, por exemplo, é a tradução visível destes sentimentos. Mas branding é muito mais do que o logo e a paleta de cor da empresa.

A ideia de que a Apple é uma empresa tecnológica “de ponta” e de que beber Coca-Cola traz alegria foi construída através de vários anos de uma comunicação consistente. Todos os pontos de contato entre o público e as marcas foram planejados para propagar os valores daquela empresa. É neste contexto que o Motion trabalha de forma mais eficiente e é capaz de trazer mais retorno.

As animações e o design de um vídeo da Apple precisam transmitir todos os valores da marca e a pessoa que assistir não terá dúvidas de que aquela é uma empresa de tecnologia “de ponta”, clean e sofisticada.

Uma marca brasileira cujo motion teve um papel essencial para construção da imagem foi a Ricardo Eletro. Os vídeos de varejos super impactantes com os textos pesados quebrando o chão e um locutor de voz super grave deram tão certo para transmitir os valores da empresa que se tornou um grande sucesso – tanto que vários concorrentes começaram a fazer coisas parecidas. Este é um exemplo em que o Motion foi decisivo para o sucesso comercial da empresa. Mas ele não fez isso “sozinho”. Existiu uma estratégia de branding por trás que direcionou o trabalho dos Motions Designers. E neste caso, a animação definitivamente gerou vendas.

Os clientes pequenos, que nunca contrataram ninguém para criar uma estratégia de comunicação para seu negócio e que, muitas vezes, nem mesmo o logo foi criado por um designer profissional, nunca vão aceitar pagar o preço que seu projeto de Motion vale. E não deveriam mesmo. Para eles, existem sites que vendem templates prontos que são mais baratos e vão solucionar o problema.Nossa área requer muito estudo e tempo de dedicação, atualização constante e os equipamentos (hardwares e softwares) são caros. Por isso, motion design não pode ser barato. Mas nosso trabalho só vai ser realmente efetivo se for estratégico. Caso contrário, comprar um template sempre vai ser uma opção mais sensata.

A capa deste artigo é do projeto Reflexões / Douglas Kerber do Marlon Müller (@marloninmotion).

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