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Atributos de Design para Motion

No Brasil, costumamos chamar de “motion designer” pessoas que, na verdade, só animam. Porém, se você for trabalhar em outros países, só será considerado motion designer se você animar e também fizer o design de suas peças. Caso contrário, você será considerado apenas animador.

Fiz uma lista dos pontos que considero mais importantes em uma peça de design para motion. Se você não está chegando a um bom resultado, provavelmente o problema deve estar em algum dos tópicos abaixo. A missão deste artigo é fazer com que os animadores fiquem mais perto de merecer o título de Motion Designers.

Contraste

Eu sempre falo de contraste porque eu considero o mais importante de todos. Já escrevi até um artigo inteiro sobre este assunto!

Contraste pode ser entendido como hierarquia. Basicamente, é o que define o que é mais e menos importante na cena. E você pode fazer isso através de cor, tamanho, forma, etc. Quando tudo em uma cena tem o mesmo tamanho, nada chama atenção. Se tudo for importante, nada é importante.

O espectador, quando olha para qualquer peça gráfica, precisa ter o seu olhar “guiado”. Ele tem que saber para onde olhar primeiro e para onde olhar depois. O mau uso do contraste pode gerar confusão nessa trajetória dos olhos e, consequêntemente, a mensagem não vai ser entregue com clareza.

A garrafa de Coca-cola se torna mais importante e parece maior quando a comparamos com o tamanho dos insetos. Bom exemplo de contraste nesse projeto da Buck.

Coerência

Gosto de pensar em coerência da seguinte forma: penso do meu design como um “universo” onde tudo que está ali faz parte de um mesmo “mundo”. Fica incoerente quando algum elemento ali parece que não faz parte deste “mundo”.

É por isso que todo design precisa, primeiro, ter um projeto (inclusive uma das traduções da palavra design é projeto). Isso significa que você tem que definir, antes de tudo, quais são as cores, os elementos, a tipografia, a espessura das linhas, as texturas e tudo mais que você vai usar naquele trabalho. A partir daí, não dá para sair “inventando” coisas novas no decorrer do caminho – a não ser que estas coisas se encaixem perfeitamente no seu universo.

É muito comum ver projetos que usam ícones que não fazer parte da mesma família. Isso torna seu vídeo extremamente amador. Acontece sempre que você precisa pegar ícones de bancos de imagem para utilizar.

Alguns sites de ícones, como o Flaticon, te permitem baixar pacotes de ícones, todos criados pelo mesmo artista e com os mesmos parâmetros. Pode ser difícil encontrar tudo o que você precisa nestes packs, mas é importante que você use ícones que façam parte de um mesmo universo em seus projetos.

Frame do projeto Blink Box da Cookie Studio. Por mais variados que sejam os elementos gráficos, todos fazem parte de um mesmo “universo”.

Respiro

Muitas vezes temos a mania de querer melhorar nosso design acrescentando coisas. Sentimos uma obrigação de preencher aquele artboard em branco. A verdade é que todo design precisa de um certo respiro – áreas não preenchidas para que os olhos não fiquem “afogados” em informação.

Os espaços vagos são tão importantes quanto os espaços ocupados. Eles também ajudam a guiar o olhar e a fazer com que o vídeo não fique cansativo aos olhos e à mente.

A importância do “respiro” anda lado a lado com a importância do “equilíbrio” em uma peça de design. Para que seu design não fique muito poluído, é importante que o espaço vazio consiga equilibrar sua composição.

Frame do projeto Brrch do Man Vs Machine para o Squarespace. É legal notar como o espaço vago faz parte da composição tanto quanto o espaço preenchido de flores.

Estilo

Estilo se relaciona com duas coisas: seu público alvo e/ou a identidade visual do seu cliente. Seu design tem que ter o estilo “certo” para atingir o público para o qual ele é destinado.

Se você está trabalhando para uma marca com uma identidade visual sólida e bem definida, é importantíssimo que em cada frame do seu vídeo seja possível identificar que aquele trabalho é um produto daquela empresa. Isso é alcançado através do uso certo das cores, das tipografias e dos elementos gráficos da marca.

O estilo do seu trabalho também tem que ser bem assimilado por quem vai assistir. Não é possível fazer um vídeo com um estilo infantil para um público corporativo, por exemplo. Cada assunto e cada tipo de audiência requer um design diferente. Isso vai fazer com que a mensagem seja eficientemente entregue.

Outro job da Cookie, dessa vez para o Cartoon Network. Os personagens não tem exatamente o mesmo design do desenho original, mas o estilo está super de acordo com a proposta do canal.

Certamente, estes quatro fatores vão abranger grande parte dos “erros” de design que você pode cometer. É bom dizer que, cada frame de um projeto feito pelos grandes estúdios de motion, é um quadro pronto para pregar na parede da sala. É isso que os tornam referências no que fazem. Portanto, tome conta do design de cada frame do seu trabalho e o resultado não vai ser nada menos que excelente!

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