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Papo Lemonade com Branko Jass – Frametouch

Branko Jass é um Filmmaker e Motion Designer da Eslováquia. Seus trabalhos são assinados como Frametouch e possuem uma identidade muito própria, carregadas de texturas e aquele mix legal entre live action e animações. Atualmente Branko trabalha como freelancer em Toronto e atende clientes do mundo todo.


Layer Lemonade: Branko, seja bem-vindo ao Layer Lemonade! Você nasceu na Eslováquia, certo? Fala pra gente um pouco sobre sua infância, você sempre teve uma atração pela área criativa? Quais eram suas maiores influências naquela época, e quais são suas maiores influências hoje?

Branko Jass: Obrigado pessoal! Sim, sou um Diretor de Criação e Motion Designer Eslovaco. Assino meus trabalhos com o pseudônimo de “frametouch”. Naquela época, na verdade, existia a Checoslováquia e depois da revolução de 1989, esses países se separaram. O comunismo teve um grande efeito na cultura e na arte. Apenas recentemente, com novas gerações chegando, está começando a desaparecer. Então eu cresci em uma parte peculiar da Europa Oriental. Eu gostava de desenhar quando criança, mas eu também estava interessado em praticar esportes, especialmente basquete. Eu tenho isso do meu pai, ele foi jogador de basquete profissional nos anos 80. Ele jogou na seleção nacional. Eu só queria seguir seus passos. Até os 17 anos de idade estava totalmente concentrado no basquete, mas sofri uma lesão e deixei isso de lado por alguns meses. Foi nesse momento que comecei a filmar e fazer pequenos vídeos dos meus colegas de equipe jogando. Sempre fiquei impressionado com as animações integradas em filmagens ao vivo, então comecei a adicionar algumas coisas tolas nos meus primeiros vídeos. Eu realmente não sabia o que estava fazendo naquela época, mas eu sabia que gostava! Isso aconteceu em torno de 2004 e o motion design ainda era “um grande desconhecido” para boa parte do público na Europa Oriental . Então eu descobri o Video Copilot. Naquela época, Andrew Kramer tinha apenas uma dúzia de tutoriais em seu site e quando comprei alguns de seus produtos levaram meses para chegar na postagem dos EUA. Não havia downloads naquela época. 😀 Foi a minha primeira influência, e todos os meus fundamentos do AE veio do Video Copilot. Hoje em dia você tem muitas opções para escolher. Eu gosto bastante do trabalhos de estúdios como Man vs. Machine, The Mill, Tendril, Giant Ant, Plenty, Onesize, Blur Studio, Cub Studio, Buck, Sebas e Clim, Sehsucht, State Design, para citar alguns. Poderia ficar aqui falando disso pra sempre. Também pego muitas inspirações de sites como behance, dribbble e vimeo.

LL: Como e quando percebeu que trabalhar com Motion Design seria uma ótima escolha?

BJ: Hahah, pergunta difícil. Ainda não tenho certeza se essa é a saída artística certa para mim. Eu amo o que eu faço e isso cumpre o meu propósito, mas percebo que isso está mudando ao longo do tempo, assim como coisas que eu gosto. Eu realmente curto experimentar e fazer coisas diferentes, então eu posso estar fazendo algo diferentes em um futuro próximo. Venho de uma pegada de filmmaking, não do design gráfico como a maioria dos motion designers, e, nos últimos anos, tenho feito cada vez menos projetos de live action, eu adoraria voltar pra isso. Gosto de manter as minhas opções abertas.

LL: Você já morou em diversos países ao redor do mundo e atualmente se encontra no Brasil, correto? De acordo com suas experiências, quais as diferenças e similaridades que você pôde perceber entre o mercado brasileiro e a indústria internacional?

BJ: Essa também é muito difícil de responder, porque cada país tem suas próprias peculiaridades. Mas eu diria que o Brasil ainda está poucos passos atrás com relação a abrir a mente para a liberdade que a criatividade oferece. Eu sinto que o Brasil dá menos valor ao motion designer do que em outros lugares que já morei, e isso é muito triste, porque conheci artistas incríveis aqui que precisaram trabalhar dentro dos moldes de uma caixinha, e se eles tivessem a liberdade de ir para onde a mente pode levar, o Brasil definitivamente estaria à frente de muitos lugares.

LL: Você lembra como foi o seu primeiro trabalho como Motion Designer? Foi na Eslováquia ainda? O que te motivou a sair de lá e conquistar o mundo?

BJ: Meu primeiro trabalho (relacionado) a motion design foi na Avi Studio, na Eslováquia, por volta de 2007. Eu fui responsável pelas fitas betacam. Então, não tinha muito de motion design por lá, mas foi o lugar onde eu aprendi como um estúdio funcionava.

LL: Apesar de bem diversificados, seus trabalhos possuem uma identidade muito própria. Em algum momento você se preocupou em criar um estilo próprio, ou isso aconteceu naturalmente?

BJ: Obrigado. Isso é algo que sempre me preocupei. Porque, pessoalmente falando, devido a todas essas andanças em diferentes áreas, sinto que não construí um estilo. Então creio que posso dizer que isso vem naturalmente.

LL: Em alguns projetos do seu behance, como o “Strike Force 1 – tARTry” você explica detalhadamente como tudo foi feito. Esse esmero por explicar e até por disponibilizar arquivos gratuitos, como o pacote de swish, nunca te levou a querer produzir tutoriais ou quem sabe, dar aulas?

BJ: Isso ainda é um sonho! Não tanto os tutoriais, mas espero algum dia poder ensinar, apesar de saber que tenho muita coisa a percorrer antes disso ser feito. Por enquanto, podem esperar mais desses breakdowns dos meus projetos. Adoro fazê-los e espero em um futuro próximo ter mais tempo para isso.

LL: O que te motivou a montar a frametouch?

BJ: Frametouch na verdade é apenas eu. Branko Jass. Mas voltando um pouco no tempo, já assinei meus trabalhos como BJ Videos, e muitas vezes isso era mal interpretado em inglês, pois em grande parte relacionavam à algo sexual. –Se você tem mais de 18 anos e não está no trabalho, experimente pesquisar “BJ videos”, isso mostrará um pouco do que eu NÃO estava fazendo. Hahaha

Mas nomes à parte, quis criar coisas com as quais eu me orgulhasse, não apenas criar coisas para ganhar dinheiro.

LL: Você já dirigiu bastante projetos neste período em que trabalha como Motion Designer. O que você leva em consideração na hora de gerenciar um projeto em equipe?

BJ:   A maioria dos projetos eu faço sozinho. Mas ao trabalhar com uma equipe, eu diria que o mais importante é o fluxo de trabalho e conhecer as habilidades dos membros da equipe. Quando você sabe que pode confiar nos membros da sua equipe, é fácil delegar e ter certeza de que podemos fornecer conteúdo da frametouch de alta qualidade.

LL: Você tem bastante domínio para trabalhar com 3D, 2D e frame a frame. Dentre as técnicas que você domina, qual a que te dá mais satisfação em trabalhar e porquê?

BJ: Como eu disse antes, gosto de tudo. Se eu trabalho apenas com uma técnica por um período mais longo, começo a sentir dificuldades em outra. Mas recentemente tenho curtido o frame by frame, mesmo que seja demorado, isso me relaxa. É como voltar para a escola primária e começar a colorir, só que agora você está sendo pago por isso. Hahaha

LL: Quais são os softwares, plugins e scripts que você mais recomenda e costuma utilizar?

BJ:  Softwares: 2D: After Effects; 3D: Cinema 4D; Frame by frame: Animate (anteriormente conhecido como Flash) e Photoshop.

Para plugins e scripts depende do tipo de projeto. Para o After Effects uso os produtos da Red Giant e coisas do aescripts.com. Para o Cinema 4D, uso os produtos da Greyscalegorilla.

LL: Como faz para dividir seu tempo entre produzir e ficar com a família? Como funciona sua rotina em um dia normal de trabalho?

BJ: Eu ando bem mal com relação a isso. Porque eu não sinto passar o tempo. Mas graças a Deus, tenho uma bela família e quero passar o maior tempo possível com eles. Então atualmente trabalho 8 horas por dia e é isso. Às vezes faço uma divisão de maneira diferente ao longo do dia. Não necessariamente trabalho das 10:00 às 18:00 todos os dias. Você pode me encontrar trabalhando muitas vezes durante a noite.

LL: Poderia deixar alguma dica para quem está começando agora na área e tem interesse de trabalhar para o mercado internacional?

BJ: Não nomeie sua empresa como BJ videos! Hahaha Isso é certeza!
Inglês!!! É o idioma principal para a maioria das coisas, especialmente no motion design.

Esteja atento ao que está acontecendo fora do Brasil. Conheça ferramentas que o ajude a pensar fora da caixa. Eu mencionei behance, dribbble e vimeo acima. Selecione seus favoritos, pense em como foi feito e tente fazer algo semelhante com suas próprias habilidades. Receba comentários e seja aberto a críticas, a comunidade de motion design é, em geral, agradável quanto a isso. Não espere ser pago por um projeto legal, crie-o por si mesmo. Por fim, não há atalhos! Você deve trabalhar com isso.

LL: E finalmente, o que podemos esperar do Branko Jass / frametouch no futuro? Você está trabalhando em algum projeto no momento? Tem alguma novidade que queira compartilhar conosco?

BJ: No momento estou trabalhando como freelancer em Toronto, então tenho projetos em andamento, alguns dos quais estou muito entusiasmado, então espero poder compartilhar isso com vocês na minha página frametouch.

RAPIDINHAS

LL: 2D ou 3D?

BJ: 3D com elementos 2D, faz sentido? 😀

LL: Eslováquia ou Brasil?

BJ: Brasil, com toda certeza!

LL: Ctrl+s ou Auto-save?

BJ: Ctrl+s

LL: Um frase que você leva pra vida?

BJ: Just do it. 🙂

LL: Basquete ou Motion Design?

BJ: Basquete, desculpa galera! 🙂

LL: Vinho ou Limonada?

BJ: Limonada Suíça Brasileira!


O Layer Lemonade agradece imensamente ao Branko Jass pela entrevista e deseja todo sucesso do mundo na sua caminhada. Para acompanhar de perto o que a Frametouch anda fazendo, aqui estão suas redes sociais: Instagram, Facebook, Behance, Vimeo e Dribbble.

 

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