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Papo Lemonade com Chris Do – Blind

Chris Do é um diretor, designer, estrategista e educador premiado mundialmente. Ele é o fundador, estrategista-chefe e CEO da Blind, produtor executivo da The Skool, e o fundador da plataforma de educação online The Futur – que ensina o Business of Design para criativos. Fundado em 1995, o seu estúdio Blind foi pioneiro no campo do Motion Design, e criou centenas de comerciais premiados, vídeo-clipes e propagandas que combinam design, tipografia, animação, live action e efeitos visuais para telas e clientes de todos os tamanhos.

Layer Lemonade – O seu estúdio Blind está no mercado há mais de duas décadas e pôde presenciar diversas mudanças e tendências; pra você qual o segredo da longevidade da Blind? E qual principal tendência na indústria de animação você enxerga pro futuro?

Chris Do – O segredo da longevidade é permanecer curioso, nunca se contentar e estar aberto a mudanças (especialmente quando se está desconfortável). Tomar decisões e agir rapidamente, se ajustar ao longo do caminho; acho que é bobagem fingir que temos todas as respostas, mas prefiro tomar uma decisão errada do que ficar parado.

Infelizmente, vejo menos trabalhos de animação no espaço televisivo. Os comerciais tendem a ser fortemente dominados por produções live action. As empresas querem coisas feitas com menos dinheiro e preferem a linguagem de comédia, ao invés da narrativa visual. Claro que existem exceções, mas essa parece ser a tendência.

Acho que há oportunidades nas áreas de broadcast promos, trade shows, event graphics, projection mapping e brand videos.

LL – Como dono de um grande estúdio de animação, quais habilidades e características você busca quando contrata um novo artista?

CD – Em primeiro lugar, o trabalho do artista é compatível com o trabalho que fazemos? Em caso afirmativo, esse é o maior obstáculo para se superar.

LL – Liderar e administrar equipes são desafios de qualquer empreendedor. Hoje, na Blind, você continua exercendo funções artísticas dentro de alguns projetos? Ou seu tempo e mindset estão totalmente focados nos desafios e demandas de seus clientes?

CD – Não tenho muito tempo para “colocar as mãos” em projetos. Parte de ser um bom líder é estabelecer metas para sua equipe, mas sem dizer como eles têm de fazer seu trabalho. Você verá em alguns dos vídeos que produzimos, que me sento ao lado dos artistas e dou-lhes feedback ou oriento-os sobre como devem ver seu trabalho. Depois deixo que tomem suas próprias decisões. Desse modo, ambos crescem e eles podem alçar voo artisticamente ao me deixar livre para administrar, escrever e produzir conteúdo.

LL – Nossa indústria é cheia de profissionais autodidatas talentosos. Talvez por isso, em algumas aulas do The Futur, o tema a respeito de se cursar ou não uma escola tradicional de Artes ou Design é recorrente. Na sua opinião, qual a importância do ensino formal para profissionais criativos?

CD – A educação formal é boa para aprender as bases do Design. Também é uma ótima forma de se desenvolver uma ética forte de trabalho, adquirir experiência e construir uma rede de contatos. Além disso, é bom para as pessoas que não têm certeza do que querem ou de como chegar lá. Você é exposto a muitas pessoas, culturas, idéias, processos, técnicas e linguagem que, de outra forma, não conseguiria.

LL – Muitos artistas – depois que começam a dar aulas -, relatam que em dado ponto sentiram a necessidade de passar o conhecimento adquirido adiante. No seu caso, como a motivação para ensinar apareceu?

CD – Compreendi algumas coisas sobre mim mesmo há muito tempo. Uma delas era que queria fundar uma empresa; a outra era que gostava de ensinar. Acredito que há algo profundamente gratificante em ajudar os outros. É a ideia de que, se alguém lhe ensinar algo ou o ajuda durante o caminho, você precisa retribuir em outro momento. Tive muita sorte de ter tido bons mentores ao longo do caminho, caso contrário não estaria aqui hoje. Então, sinto um grande sentimento de gratidão e desejo de continuar compartilhando.

LL – Sempre existiu na indústria uma disparidade enorme entre valores de orçamentos de empresas e/ou freelancers. Na sua visão, quais características fazem que uma empresa ou profissional cobrem mais pelo mesmo serviço?

CD – Acho que isso é uma questão de posicionamento, que geralmente é refletido na confiança, corpo de trabalho, experiência de trabalho, marketing, validação social e igualitária, provisões, etc… Os freelancers tendem a não ter essas coisas, e isso corrói sua autoconfiança. Eles muitas vezes negociam contra si mesmos, seja cobrando muito abaixo do valor real de mercado ou sendo apressados durante o processo de negociação.

LL – Durante um vídeo-tour pelas dependências da Blind e do The Futur, foi possível perceber que existe uma boa dose de liberdade para equipe. Tanto no que tange ao ambiente quanto à cultura da empresa. Segundo a sua experiência, é possível ser um empreendedor criativo usando modelos de negócios rígidos?

CD – Sim, tenho certeza que é possível, mas não é como eu prefiro dirigir nossa empresa. Às vezes, uma estrutura rígida liberta a mente criativa para explorar idéias vs. ficar preso na liberdade. Um exemplo é o desafio diário que muitos criativos assumiram: o desafio de criar uma coisa por dia significa que não importa o que aconteça, você precisa fazer algo. Agora, normalmente pensamos que é necessário tempo para que a criatividade ocorra, mas, à partir dos exemplos que vi, os designers podem fazer obras de arte incríveis simplesmente impondo prazos.

Então acho que pode ser um benefício.

LL – Nos últimos anos, muito se especula sobre a falência do modelo de negócio das agências tradicionais. No caso da Blind, houve alguma mudança significativa no relacionamento com as agências que vocês trabalham?

CD – Sim. Nós não trabalhamos com agências tanto quanto costumávamos. Temos um punhado de clientes que são a principal fonte de nossa receita. Tivemos que diversificar e agora temos clientes que estão em tecnologia, imóveis e entretenimento.

LL – Que conselho você daria a quem quiser abrir seu próprio estúdio num futuro próximo?

CD – Aprenda primeiro a mecânica empresarial. Desenvolva um corpo de trabalho. Cresça em seguimento social. Em seguida, se lance e trabalhe feito louco.

RAPIDINHAS

LL – Design of Business ou Business of Design?

CD – Business of Design, mas são dois lados da mesma moeda.

LL – Citação favorita?

CD – “A vida não examinada não vale a pena ser vivida.” – Sócrates.

LL – Dia ou noite?

CD – Noite.

LL – Cerveja ou limonada?

CD – Nenhum dos dois. Chá verde de Jasmine. Não bebo álcool e tento não consumir açúcar processado.

LL – Skyrim ou The Witcher III?

CD – Skyrim. Mas ouço coisas boas sobre The Witcher III.

Layer Lemonade – Última pergunta: Você já veio ao Brasil? Você precisa vir aqui e fazer barulho. Obrigado pela sua participação e desejamos-lhe o melhor de sua vida, Chris!

CD – Nunca estive no Brasil, mas adoraria conhecer o berço do Jiu-Jitsu brasileiro. Estou apenas esperando que alguma “organização” me convide.

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