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Papo Lemonade com Joey Korenman | School of Motion

Com mais de quinze anos de indústria, Joey Korenman é a mente por detrás do School of Motion, uma das mais recentes e – já! -, conceituadas escolas virtuais de animação e Motion Design. Ao longo de sua carreira, Joey desenvolveu suas habilidades como Motion Designer tendo trabalhado em inúmeros estúdios, administrado equipes inteiras, e ganhou notoriedade ao lançar a incrível série 30 Days of After Effects, que culminou com a fundação e lançamento do School of Motion e seu primeiro curso, o Animation BootCamp.

Layer Lemonade  Conte-nos um pouco sobre você: onde nasceu e cresceu, quais suas influências na infância/adolescência e como decidiu que trabalharia com Motion Design?

Joey Korenman Sou do grande estado do Texas, mas fiz faculdade em Boston e agora moro na Flórida. Quando pequeno, estava sempre no computador, e descobri eventualmente o mundo de Efeitos Visuais. Costumava pegar a velha filmadora do meu pai para gravar filmes, tentando criar tantos efeitos práticos quanto possíveis.

Certo dia, um amigo arranjou uma placa que permitia capturar clipes no computador. Então compramos um cobertor verde, fizemos um greenscreen terrívelfilmamos algumas coisas e… Puta merda, nós literalmente PÓS-PRODUZIMOS algo! A partir desse momento, fui fisgado.

Acabei fazendo faculdade de Cinema/Televisão, e eventualmente fui contratado como Editor; em seguida, lentamente fui em direção ao Motion Design.

LL – Você estudou animação e design, ou sempre esteve no time dos autodidatas? Como desenvolveu suas habilidades técnicas e artísticas?

JK – Não cursei nada relacionado a Design ou Animação, então sou majoritariamente autodidata. Mas fiz alguns cursos do Tim Clapham, FXPHD, e outros sites que têm sido surpreendentemente úteis na aprendizagem do Motion Design. Mas, honestamente, meu melhor professor sempre foi a experiência. Eu disse “sim” a projetos que não tinha absolutamente nenhum domínio, e sempre consegui aprender o que era preciso “bem na hora”. Ter fé em sua capacidade de aprender é realmente a melhor habilidade que um Motion Designer pode ter.

LL – Você lembra do seu primeiro trabalho como Motion Designer? E durante sua jornada, já teve aquele momento de desespero ao pegar um projeto e perceber que não conseguiria executá-lo?

JK – Quando tinha 19 anos, fui para um estágio numa empresa em Dallas, TX. Eles tinham um cliente que queria um vídeo de cinco minutos, composto de alguns titles com movimentos e um monte de fotos. Ninguém lá sabia After Effects, mas eu já o tinha aberto e brincado um pouco. Disse-lhes que poderia fazer o trabalho mesmo antes de saber como criar um keyframe (ou, francamente, o que um keyframe era DE VERDADE). Aprendi o que precisava e completei o vídeo. Os caras da empresa onde estagiava ficaram tão impressionados que quiseram me contratar como fixo, caso não estivesse afim de voltar para a faculdade. Haha!

Eu nunca disse sim a um projeto e não consegui entregar. Peguei inúmeros trabalhos que eram 10-20% fora do meu nível de habilidade, mas nunca mais do que isso. Por exemplo, quando estava aprendendo Cinema 4D podia dizer sim a um projeto que exigisse uma mistura de 2D e 3D, mesmo que minhas habilidades em 3D não fossem grande coisa. Eu sabia que poderia ficar acordado até tarde, assistir a tutoriais e aprender o necessário. No entanto, não assumiria um trabalho que exigisse animação de personagem detalhada, pois nisso não sou bom. Você tem que se conhecer muito bem para que possa dar alguns passos para fora de sua zona de conforto, mas não muitos.

LL – Você foi Diretor Criativo na Toil, e gerenciar equipes pode ser algo bastante frustrante, pois às vezes é necessário demandar tarefas que gostaríamos de solucionar pessoalmente. Dirigir equipes sempre foi uma facilidade para você, ou prefere ser gerenciado e colocar a mão na massa?

JK – Nunca é fácil gerenciar equipes e, para ser honesto, ainda estou aprendendo a fazer isso. Há um movimento de equilíbrio complicado quando se é um líder; você precisa se certificar de que as coisas estão sendo feitas na altura de seus padrões, mas também precisa deixar as pessoas falharem para que possam aprender. Precisa estar envolvido quando for necessário, e depois sair de lado para deixar sua equipe fazer o que precisa. Também precisamos ter consciência de quando estamos fazendo algo que outra pessoa faria melhor, e apenas deixá-lo fazer. É difícil, e é algo com que luto até hoje.

Mas posso afirmar o seguinte: liderança é uma habilidade. E com isso, quero dizer que você pode melhorar. Os líderes são criados, não nascidos… certo? Todas as qualidades de liderança que eu possa ter, foram difíceis de adquirir… Não sou um líder nato de forma alguma.

LL – Dar aulas sempre foi algo do seu interesse, ou tudo começou por você agarrar oportunidades que apareceram? Conta pra gente como foi seu ingresso na Ringling College of Art & Design como instrutor do departamento de Motion Design.

JK – Ensinar nunca foi meu objetivo inicial. Simplesmente gostava de explicar coisas e ajudar outros artistas a ter aqueles momentos “aha!”. Era apenas algo que fazia, e aconteceu de eu gostar.

Entrei na Ringling após experimentar um colapso maciço de minha carreira (confira este artigo do Motionographer, em que detalho essa crise melhor). Minha família e eu deixamos Massachusetts após 12 anos para tentar encontrar uma vida que nos fizesse melhor. Começamos a procurar na Flórida, e aconteceu que a Ringling estava buscando professores na época. Candidatei-me, mas achava que eles não se interessariam porque nunca tinha ensinado antes, mas me enganei. Naquele tempo já tinha feito quatro tutoriais para o School of Motion, e eles os tinham visto. Acreditaram que eu poderia ensinar, e me contrataram. Sou eternamente grato a eles, porque me ajudaram a encontrar a coisa que me deu um forte propósito de vida. Deixei a Ringling depois de um ano, mas ainda sou muito próximo de seu corpo docente e estudantes. 

LL – O que veio na sua cabeça de produzir 30 tutoriais em 30 dias? Qual foi o ponto chave para o surgimento dessa série brilhante e ainda bastante falada na área? Há chances de ocorrerem outras?

JK – Tinha acabado de deixar meu emprego na Ringling para me concentrar no School of Motion. Nesse ponto, quase ninguém tinha ouvido falar de mim. Havia um grupo muito pequeno de pessoas me seguindo no Vimeo, e eles me pediam para fazer mais conteúdo, queriam aprender comigo. Eu sabia que precisava expandir meu público, e pensei que uma grande campanha de marketing ajudaria. A maioria dos sites liberam tutoriais no MÁXIMO uma vez por semana, e geralmente com menos freqüência, então pensei que seria incrível fazer tutoriais diários por 30 dias. Então anunciei que o faria e, de repente, um enorme apoio surgiu. Os tutoriais começaram a sair e meu tráfego na web dobrou, em seguida, triplicou. O Motionographer escreveu um artigo sobre mim, e então, depois que terminou a série, lancei o Animation Bootcamp e o resto é história.

LL – O que o levou a querer criar algo como o School of Motion?

JK – Eu estava em colapso em relação à indústria, e tinha acabado de começar minha família. Nós tínhamos crianças pequenas, e não queria continuar no lance de “trocar tempo por dinheiro” o resto da minha carreira. Olhei para o que Nick estava fazendo com GreyScaleGorilla e pensei: “Quero fazer isso.” Então procurei uma URL que não fosse de ninguém. Tinha assistido ao filme School of Rock e pensei que o nome era tão legal e simples, e assim criei o School of Motion.

LL – Agora que você possui experiências com escolas tradicionais e também onlines, como você enxerga o futuro destes dois caminhos da educação?

JK – Escolas tradicionais não estão desaparecendo, mas se eles não descobrirem (pelo menos nos EUA), como reduzir muito as mensalidades e despesas, começarão a declinar. Uma escola como a Ringling pode custar mais de US$ 200.000. Isso é como comprar uma casa, exceto que você não consegue viver nela e não a pode vender se precisar do dinheiro. É loucura, e só vale a pena se você puder se dar ao luxo de não sacrificar o resto de sua vida sob essa esmagadora dívida.

E aqui está o grande remate: recebemos e-mails todos os meses de alunos do School of Motion, que dizem que nossos cursos são melhores do que os que eles têm em suas escolas tradicionais e que duram quatro anos. Tradicionalmente, a educação online tem sido vista como uma versão diminuta de uma faculdade na vida real. Mas programas como o nosso, MoGraph Mentors, e outras empresas online estão mostrando que a educação pode ser tão boa ou melhor do que a versão ao vivo, e por menos de 5% do custo.

O espaço para educação online dobrará nos próximos dois anos. Apenas observe.

LL – Você possui também uma boa experiência como Freelancer (inclusive um dos cursos do School of Motion aborda este tema). Como enxerga o mercado para o Freelancer? Pode passar algumas dicas para quem está começando e almeja trabalhar com bons clientes e grandes estúdios?

JK – Freelancing é uma forma incrível de ganhar a vida como Motion Designer. Acho que agora é o melhor momento na história para ser um freelancer, porque as empresas em todas as grandes cidades estão tendo dificuldade em encontrar pessoas talentosas. Há tanto trabalho lá fora, que em uma grande cidade, você pode trabalhar em seis lugares como artista de After Effects. Mais de $100K por ano apenas para brincar com keyframes. Nada mal, certo?

Se você quiser trabalhar com os melhores estúdios e não está estabelecido, precisa ter um portfólio animal. Isso praticamente resume tudo. A Oddfellows não o vai contratar, a menos que esteja no top 3% dos Motion Designers. E também ajuda se estiver perto geograficamente, para que possa conhecê-los pessoalmente. 

Para os 97% de nós que simplesmente não têm os melhores portfólios – ainda -, existem milhares de empresas que você nunca ouviu falar e que o contrataria. Eles precisam de você… e geralmente é tão simples como saber o nome da empresa, procurando-os no LinkedIn para ver quem se deve contatar (um Produtor ou Project Manager, geralmente), pegar um endereço de e-mail na Voila Norbert ou RocketReach, e enviar uma Intro sua, bem direcionada e tática. Se isso soa trabalhoso, é porque a maioria das pessoas não o quer fazer, então se você fizer já se destaca. 

LL – Qual o estúdio de animação/motion que gostaria de visitar? E quais profissionais admira na indústria?

JK – Buck é meu estúdio favorito de todos os tempos, e GMunk é meu Designer/Diretor favorito. Mas há muuuuuitos estúdios e artistas incríveis. Giant Ant, Tendril, Royale, Aixsponza, Cub Studio, Viewpoint Creative, Oddfellows, Jorge Estrada, Sander Van Dijk, Bee Grandinetti, Erica Gorochow, Lilian Darmono, Claudio Salas… A lista é interminável. Também admiro REALMENTE o que Ash Thorp tem feito, a maneira como Justin Cone criou o Motionographer, a maneira como Nick e a equipe do GreyScaleGorilla têm democratizado o 3D em nossa indústria. Tenho muitos heróis e heroínas. 🙂

LL – Além de toda responsabilidade profissional, você é casado e pai de três meninas. Como faz para conciliar trabalho e família?

JK – Wow essa é difícil! Ainda luto com isso, para ser honesto. Sou obcecado por trabalho na maior parte do tempo, por isso é difícil me desligar às vezes. Uma coisa que ajudou muito é ter um escritório separado de casa, para que não esteja em “modo de trabalho”, enquanto em casa. Também não trabalho tantas horas como costumava, talvez 40 horas por semana, no máximo. Eu costumava trabalhar 60-70 horas na Toil.

LL –  Quais os planos e metas para Joey Korenman e quais novidades podemos esperar para o futuro do School of Motion?

JK – Joey Korenman está treinando para uma maratona de 5 Km em 19 minutos, e na esperança de ensinar e falar mais em público. O School of Motion está prestes a sofrer uma enorme metamorfose. Estamos lançando uma plataforma nova para executar nossos cursos, nossa equipe continua crescendo, estamos trabalhando em novos cursos, e mal posso esperar para ver onde estaremos dentro de um ano.

Nosso objetivo de longo prazo é oferecer um caminho para que artistas descubram o Motion Design, mergulhem um pouco mais fundo e, em seguida, obtenham treinamento para levá-los até o nível profissional. Tudo isso por MUITO menos dinheiro do que uma faculdade tradicional custaria. Nós faremos isso.

LL – Alguma outra dica para quem está começando na área e tem aquele desejo profissional de “ser você” quando crescer?

JK – A única vantagem competitiva que nasceu comigo é a capacidade de trabalhar muito duro. É isso aí. Eu não tinha uma única fagulha de talento nato para design ou animação… Tive que sofrer por cada vírgula de conhecimento que tenho. Não sobrevalorize o talento, e não subestime o trabalho duro. Esse é o meu conselho.

RAPIDINHAS

LL – PC ou Mac?

JK – Ainda sou um cara dos Macs… Por enquanto. Pergunte-me daqui um ano, pois estou ficando desiludido.

LL – Ensinar ou criar Motion Design?

Jk – Ambos! Não se pode SOMENTE ensinar… Se você pára de produzir, perde o toque muito rápido.

LL – 2D ou 3D?

JK – Sou um cara do 2D de coração. O 3D é simplesmente muito trabalhoso, haha! Mas amo os dois mundos.

LL – Melhor hora para trabalhar: manhã, tarde ou noite?

Jk – De manhã. Acordo às 4h30, e nessas horas enquanto todos dormem, nenhum email chega, nenhum incêndio para apagar… Nessas horas sou uma MÁQUINA e consigo produzir quantidades ridículas de coisas.

LL – Limonada ou Cerveja?

JK – É o seguinte, minha cerveja favorita de todo o sempre é a Wachusett Blueberry (servida de uma torneira com mirtilos de verdade flutuando no topo). Não tenho medo de misturar frutas com cerveja… Então, mais uma vez minha resposta é: POR QUE NÃO OS DOIS?


Nós do Layer Lemonade agrademos imensamente a participação de Joey Korenman no Papo Lemonade. Admiramos a prontidão com que se prestou a realizar a entrevista, bem como sua abertura em nos responder rapidamente. Desejamos tudo de melhor ao School of Motion e que mais incríveis cursos advenham dessa iniciativa!

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