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Papo Lemonade com Nick Campbell – Greyscalegorilla

Nick Campbell é um Motion Designer americano, famoso por ser o criador do website Greyscalegorilla. Nascido em Detroit, Nick estudou design, animação e cinema na Illinois Institute of Art Chicago, tendo trabalhado no estúdio Digital Kitchen, onde produziu comerciais para TV e sequências de abertura para coisas como Target, Dexter e The Tonight Show com Conan O’Brien.

Ao ser convidado para o Papo Lemonade, Nick pediu que respondesse a entrevista em vídeo, pois lhe custava menos tempo, poderia responder de forma mais plena e também compartilhar com a comunidade internacional. O vídeo abaixo foi ao ar no YouTube do Greyscalegorilla, e contém toda nossa entrevista em inglês. Para quem tiver dificuldade de acompanhar, nós traduzimos, transcrevemos e adaptamos as respostas para a forma convencional do Papo Lemonade, que pode ser lido logo abaixo sem perdas de conteúdo.

Layer Lemonade – Quais as maiores influências que teve quando jovem e que ajudaram a te tornar o artista que é hoje?

Nick CampbellRefletindo agora sobre as coisas que era obcecado quando criança, penso sobre como elas se conectam com o que faço no dia-a-dia. Sempre fui obcecado sobre como tudo funciona; então pra mim não era o suficiente apenas brincar. Queria saber como os brinquedos eram montados, como os vídeo-games eram feitos; e penetrá-los de alguma maneira. Acho que essa tendência me empurrou para o Motion Design, Cinema… Entender que são pessoas que fazem as coisas que gosto, e compreender que eu poderia fazer parte do processo criativo. Acredito que é isso que conecta tudo. Eu tinha minhas fixações quando criança, de forma similar a outras crianças que são obcecadas com vídeo-games. Sempre tive um console em casa… Atari, Nintendo; eu cresci nos anos 80, certo?

Havia sempre vídeo clipes tocando por aí, era a “Era da MTV” e adorava os do Michael Jackson e todos os vídeos do Michel Gondry. Todas essas coisas me influenciaram. E acho que ter um computador – isso também conta -, ter um computador bem cedo na vida me ajudou a sentir confortável trabalhando com isso, e me ajudou a entender o que era possível. Quando jovem, usava computadores quase que apenas para jogar, mas acho que ter esse conhecimento me auxiliou a tomar uma decisão sobre o que fazer mais facilmente.

Quando decidi ir pra faculdade, e aprender Motion Design e After Effects, não havia mistério pra mim; eu já era fissurado com essas coisas, com vídeo-clipes, design e muito disso era parte da minha infância. Acho que, seja o que for que façamos quando criança, realmente nos influencia quando adultos.

Quando decidi trabalhar, foi em um lugar onde me divertiria muito e poderia aprender muito.

LL – Como você entrou no campo criativo?

NC – Não me considerava uma “pessoa criativa” quando entrei nessa área. Era obcecado em saber como as coisas funcionavam, não exatamente para expressar minha arte ou ser um artista ou algum tipo de “pessoa criativa”. Isso nunca esteve em meu DNA, meus genes, ser tipo “quero expressar a mim mesmo”; eu não tinha esse tipo de sentimento. Meus sentimentos e meus interesses vêm da curiosidade de saber como as coisas funcionam. Então, quando comecei a entender que haviam pessoas por detrás de todos aqueles efeitos visuais que eu gostava nos filmes, nos vídeo-clipes que adorava assistir, nos games que gostava de jogar… Quando comecei a perceber, a medida que fui crescendo, que eram pessoas que criavam essas coisas, percebi também que eu poderia ser uma dessas pessoas. Poderia ser uma dessas pessoas que se sentam em frente ao computador e tentam construir algo que entretenha os outros; ou ajudar outras pessoas a fazer seu trabalho. Essas coisas é que realmente me empolgaram sobre o Campo Criativo. Então, não foi algo grande como “eu sabia que teria de ser um artista e precisava aprender esse tipo de coisa”, foi mais para estar em volta das pessoas que faziam essas coisas, assim poderia aprender sua linguagem e começar a produzir o que produziam.

Quando fui pra faculdade, foi puramente para aprender After Effects. E quando estava lá, e comecei a conhecer outros artistas, foi que percebi que eram pessoas muito diferentes. Algumas delas eram muito criativas, e artisticamente em sintonia com como as coisas são. Eu nunca tive isso, era um pouco mais técnico, era mais sobre aprender as regras de como as coisas são fisicamente criadas. O emocional, o design, timming e coisas assim demorou muito tempo para que eu entendesse; e para compreender a importância disso. Então, pra mim, estar no Campo Criativo foi um pouco acidental, mas também algo que sabia que queria fazer parte.

Tive sorte de ter pais que amavam seus empregos, que chegavam em casa do trabalho e falavam o quanto havia sido divertido aquele dia, algumas coisas que estavam enfrentando e como iam lidar com elas; e como eles iriam, sabe, consertar esses problemas em suas carreiras… De uma maneira boa, entende? Quase nunca havia reclamações no jantar ou no café da manhã sobre ir ao trabalho ou voltar para casa. Então sempre tive essa experiência de vitória. Quando decidi trabalhar, foi em um lugar onde me divertiria muito e poderia aprender muito; e acho que foi assim que entrei por acaso nesse Campo Criativo.

LL – Você estudou design, filme e animação na Illinois Institute of Art Chicago. Como enxerga o crescimento exponencial das escolas especializadas online – que são mais baratas e acessíveis -, em detrimento as caríssimas instituições físicas?

NC – Cara, certamente tenho muito a dizer sobre educação. Primeiramente que, pessoas diferentes aprendem de formas diferentes. E para alguns, o modelo tradicional de ir a faculdade, estar cercado de outras pessoas, estar numa sala de aula presencial, sempre será uma parte da educação; para essas pessoas, é perfeito. No entanto, eu gostaria de ter tido acesso a tudo que está por aí atualmente, todos os vídeos no YouTube, Vimeo, os fóruns e os canais no Slack; todo conteúdo que podemos acessar agora, se quisermos fazer do Motion uma carreira… Isso é muito útil e pode agilizar o processo de alguém que é muito voraz, um autodidata iniciante ou mesmo alguém que estuda sozinho. Acho que essas ferramentas são incrivelmente úteis.

Fico feliz que exista um caminho diferente para alguns, e que não precisem assumir uma dívida insana. Acho que escolas tradicionais são importantes, estar cercado de outras pessoas, professores, colegas de classe que te ajudam é uma grande experiência. Mas não sei se sempre valerá a pena financeiramente. A dívida que você terá no final da faculdade (ao menos no modelo norte-americano), só aumenta; em contrapartida, o valor daquilo que adquiriu com esse débito só diminui. O mundo muda rápido, novos softwares surgem a cada minuto, há um novo motor de render surgindo a cada cinco segundos… Tudo isso reforça o fato de que o ensino online precisa ser uma parte de sua experiência de aprendizado, não importa o que você faz.

Assim, o meu conselho é que você aprenda como você aprende. Entenda qual é o melhor método para absorver a informação que outras pessoas têm, e fixe-a em sua cabeça. Pessoas diferentes fazem isso de maneiras distintas; algumas são mais “visuais”, outras mais auditivas, outras ainda são mais de tentar e fazer até conseguir; e há alguns que são os estudantes perfeitos, que simplesmente assistem e fazem anotações. Não existe uma forma certa, mas você precisa entender como aprende melhor e, falando de mim mesmo, a melhor forma que aprendi foi assistindo outras pessoas criando.

Pessoas diferentes aprendem de formas diferentes.

Então, a forma que aprendi mais rápido foi com fitas VHS da Total Training – isso vai entregar minha idade. Tive de aprender essas coisas antes de existir YouTube ou Vimeo. Pegava uns VHS do Brian Moffet, que me ensinavam como criar uma montanha russa no After Effects, e esses vídeos de alguém fazendo algo passo-a-passo, assistindo o mouse se movendo, eram exatamente como o meu cérebro funcionava. Eu era capaz de não só assisti-lo criando, mas também entender por que as coisas eram e estavam onde estavam. Então também tive de entender porque certas coisas eram do jeito que eram, não simplesmente “é isso!”. Tive de entender o processo inteiro. Sabendo disso sobre mim mesmo, procurei por coisas muito específicas…

Agora, voltando pro presente, o GrayscaleGorilla está fazendo mais treinamentos online, e mais aulas online com estilo convencional; e a razão pra isso é que percebemos que queremos que os estudantes tenham um lugar não só para assistir tutoriais, pois não acho que isso seja suficiente… Temos centenas de horas de vídeos gratuitos, e treinamentos e tutoriais online… E hoje em dia já não acho que isso seja suficiente para que você aprenda aquilo que precisa. Então, o que estamos tentando construir no GSG é um ambiente de sala de aula que emula as melhores coisas sobre ir a uma escola real… Mas online. Ainda estamos aprendendo o que essas coisas são, e no momento, isso é uma parte grande do que ando fazendo na empresa.

Então, sobre educação eu digo o seguinte: é uma grande parte do que fazemos no GSG, é algo que quero melhorar muito e podem esperar mais sobre educação online vindo do GreyscaleGorilla em breve.

LL – Conte-nos como foi sua experiência ao trabalhar na Digital Kitchen Chicago, e como isso te ajudou a crescer como Motion Designer – e como artista.

NC – Trabalhar na Digital Kitchen foi, provavelmente, a parte mais prolífica da minha carreira, e onde cresci mais rápido como artista e designer. A oportunidade de estar cercado por talentos daquele nível e, pra mim, absorver tudo quanto possível foi, de longe, o jeito mais rápido de aprender. Estar rodeado por essas pessoas, e especialmente quando começamos a nos tornar amigos, certo? Andar juntos o dia todo, lanchar juntos… Isso cria, ao menos pra mim, uma competição muito amigável, onde uns tentam superar os outros nesse jogo do Design, ganhando clientes, mudando a ideia de uma frase em um comercial, criando uma transição mais interessante para revelar essa tipografia. Isso torna as coisas amistosas e mais amigáveis, de um modo que sempre teremos o melhor resultado. Isso faz com que pensemos constantemente “há uma forma melhor de fazer isso?”; e esse questionamento por todo o dia ajuda muito a você aprender mais rápido.

Eu não acredito que se você me ensinar algo haverá conhecimento perdido. A melhor parte sobre ensino, é que se você me ensinar alguma coisa, nós dois saberemos. E posso ensinar isso para mais 5 pessoas, e agora elas sabem.

Além disso, estar rodeado por aquelas pessoas criativas nos permitiu compartilhar conhecimento livremente. Nós éramos da mesma equipe, certo? Todos trabalhávamos no mesmo lugar e a medida que trazíamos dicas e técnicas diferentes, e dicas de softwares, truques de lighting, e coisas diferentes para se trabalhar com câmera… Toda vez que alguém descobria algo que funcionava, rapidamente toda a empresa sabia. Então foi um lugar incrível para compartilhar informação e ser capaz de saber que, a informação que eu estava recebendo vinha de pessoas confiáveis. Profissionais que eram grandes Designers e artistas; e eu podia olhar para alguém e dizer “Wow, isso é incrível! Pergunte a eles como fizeram”, e saber que o feedback que eu receberia vinha da pessoa que realmente o fez. Essas são as coisas que, a propósito, falei na pergunta anterior sobre educação; essas são as coisas que estamos tentando resolver: como conseguimos juntar mais pessoas, para compartilhar mais conhecimento, fazendo com que o produto final seja melhor para todos.

Eu não acredito que se você me ensinar algo haverá conhecimento perdido. A melhor parte sobre ensino, é que se você me ensinar alguma coisa, nós dois saberemos. E eu posso ensinar isso para mais 5 pessoas, e agora elas sabem. Essa foi a parte empolgante pra mim, não só por essa coisa de educação que comentei, mas trabalhar junto de outras pessoas.

LL – Você disse certa vez que é bom “não ser o melhor artista na sala”. Você acredita que o processo de aprendizado é acelerado quando nos cercamos de pessoas criativos e, claro, melhores tecnicamente do que nós?

NC – Sim, com certeza! Ser o pior da sala foi a forma mais rápida de aprendizado que tive (isso nos leva exatamente de volta a Digital Kitchen). Por eu ser um dos piores daquele lugar, fui capaz de olhar em volta – para todos aqueles artistas -, e aprender diretamente com eles. Pois eram melhores em tipografia, Teoria das Cores, kerning; eram melhores em composição, em criar logos, fazer briefs e conversar com clientes e melhores em edição… Eram melhores de todos os modos, certo? Então, tive a oportunidade de tirar dúvidas e aprender com essas pessoas inteligentes e talentosas, como eles faziam o que faziam. E por sorte, eles eram dispostos a compartilhar comigo, e tudo que fiz foi pôr em prática.

Meu conselho número um é: esteja sempre cercado por alguém melhor do que você, nunca seja o melhor da sala. Pois é a melhor forma de aprender.

Agora, como você pode ser o pior da sala? Você pode trabalhar com pessoas diferentes, e talvez cresça o máximo que conseguir em sua empresa ao ponto de não ter mais ninguém que lhe ensine nada. Muitas pessoas chegam nesse ponto, se sentem estagnadas e migram para um novo trabalho. Se você está apenas começando, pode ir pra universidade ou estar em comunidades como uma escola online, onde há outras pessoas com paixões diferentes e todos aprendem uns com os outros. Você pode ir a algum meetup com outros artistas… Se houver um meetup perto de onde você mora, vá até lá. E se não houver nenhum, vá até as grandes conferências! Compre uma passagem de avião e vá. Faça uma viagem de carro e vá ao Blend, vá ao OFFF, que inclusive acontece no Brasil, vá ao Half Res que acontece no centro-oeste dos EUA… Esteja rodeado por pessoas que fazem aquilo que você quer fazer. É o melhor jeito de aprender, é a melhor forma de sentir que faz parte de algo maior do que você – isso me ajudou a aprender. Você não pode ficar sentado em frente a uma tela o dia inteiro. Saia e vá conhecer pessoas que fazem aquilo que você faz; e mais uma coisa, vou adicionar isso a lista, pois isso foi muito importante pra mim: livros! Comece a ler livros de pessoas que você é fã. E simplesmente por ler essas coisas, você começará a pensar de maneira diferente, aprenderá a linguagem de como eles atingiram aquele estágio em suas carreiras. Se você é obcecado com a Pixar, vá ler todos os livros a respeito. Se é aficionado com Steve Jobs ou qualquer outro tipo de executivo, ou artista… Muitas dessas pessoas possuem livros para que você leia e saiba como eles chegaram onde estão, e com isso você poderá começar a fazer as mesmas coisas. Então, livros são algo muito importante. Mas, novamente, se você puder estar pessoalmente com alguém será o melhor que pode acontecer.

LL – Você começou usando somente After Effects. O que te fez mudar para o Cinema 4D?

NC – Eu sempre tive mais interesse nos aspectos 2.5D do After Effects. Desde a versão 5.5, o AE permitiu deslocar layers separadamente no espaço e usar câmeras para navegar através dessas layers. A linguagem das coordenadas XYZ foi acrescentada junto com as câmeras e tudo o mais… Eu era realmente obcecado por esse lado do After Effects. Muito influenciado por MK12, eu queria “voar” com câmeras através de pôsteres do jeito que ele fazia. Então fui ficando cada vez mais confortável com 3D e After Effects, mas sempre que tentava aprender “3D de verdade”, achava aquilo demais pra mim. Sabe, muito técnico… Me diziam que precisava modelar tudo do zero e eu não tinha interesse em nada disso. E foi somente quando comecei a usar o Cinema 4D, que percebi que 3D não precisava ser tão complicado. O C4D foi criado pelas mesmas pessoas que o After Effects, por pessoas que usavam Macs, foi feito por alguém que se importava mais com a interface, com a interação do usuário. E sentia que muitos dos programas 3D eram demasiados técnicos pra minha cabeça, que não eram pra mim.

Então comecei a explorar o C4D e entender que ele funcionava muito bem com o AE. Ele permitia exportar todas as layers, modelos e renders direto pro After Effects, onde você poderia usar câmeras e etc. Quando descobri isso, era tudo que precisava saber. Era fácil de usar, possuía uma boa conexão com After Effects e pude começar a estudá-lo. Isso foi o que, inicialmente, me fez usar o C4D, mas o que me manteve como usuário foi a comunidade.

Naquela época não havia muitos treinamentos online – isso foi bem antes do YouTube e Vimeo -, e eu ia em lugares como mograph.net e interagia e falava com pessoas como Mike, The Monkey. Essas pessoas eram dispostas a compartilhar o que sabiam sobre esse software e aprendi muito. Comecei a conhecer a comunidade de Chicago, e soube que havia outros como eu fazendo o mesmo por aqui e rapidamente o C4D se tornou um dos meus softwares favoritos.

Pra mim, um bom software tem de ser fácil de usar, mas quando necessário, te concede poder para criar coisas complicadas; e acredito que o After Effects é um bom exemplo disso, do mesmo modo o Cinema 4D.

LL – Quando você criou o Greyscallegorilla e o que te motivou a isso?

NC – Eu sempre gostei de ensinar. Apenas aprender algo não é tão prazeroso quanto ensinar esse algo a outra pessoa. Sempre que aprendia um truque, ou via um tutorial e podia compartilhar o que aprendi com outra pessoa, isso era realmente realizador pra mim. E quando criei um blog – todos tinham seus blogs naquela época e o YouTube começou a surgir, o Vimeo também e todos podiam colocar vídeos online -, decidi que iria ensinar aos outros o que eu sabia sobre fotografia, Photoshop e After Effects.

Sabia o suficiente pra, sabe, fazer coisas vistosas. E pensei “posso compartilhar, estou no meio da minha carreira e posso ajudar as pessoas”. Foi aí que começaram a me perguntar sobre Cinema 4D e era tipo “ei, você também sabe Cinema 4D, pode criar uns tutoriais sobre isso?”, e eu meio que respondia “estou apenas começando a aprender C4D, não sou a pessoa que pode te ensinar nada. Estou aprendendo do mesmo modo que você”. Mas isso me fez pensar sobre alguns dos professores favoritos que tive em minha carreira, e eles não eram “gurus” ou “experts”; eram apenas estudantes apaixonados que tinham o mesmo sentimento que eu tinha sobre ensinar. Eles amavam aprender e ensinar. E percebi que não importava que eu soubesse TUDO de Cinema 4D antes de começar a ensinar. Se tudo o que eu pudesse fazer era salvar uns novatos em C4D por alguns dias ou semanas, era o suficiente pra mim. Assim, comecei a gravar uns vídeos bem simples, sobre como começar no C4D e decolou! As pessoas simpatizam com quem não tenta engana-las, e simplesmente diz o que sabe sobre o software.

Foi uma época muito divertida, pois não haviam muitos treinamentos sobre C4D por aí. Então eu basicamente conseguia aprender algo, ligar a câmera, gravar um vídeo e todos que assistiam o GSG aprendiam o que eu sabia. E isso era realmente empolgante pra mim, pois é assim que nós humanos somos; é assim que aprendemos. Não é um “jogo de soma-zero”. Quando eu ensinava aquilo que sabia, outros aprendiam e permitia que todos ajudassem uns aos outros. Me lembro de alguns comentários de pessoas que diziam “Ei, Nick, você está fazendo errado”, ou “Há um modo mais rápido de fazer isso”. Então, em contrapartida, comecei a aprender mais rápido simplesmente por publicar meus vídeos online. Uma comunidade começou a se formar ao nosso redor, e foi realmente uma época empolgante, pois eu podia ensinar o que sabia e outras pessoas me ensinavam aquilo que eu não sabia. Então voltamos à situação onde não sou o melhor da sala, certo? Há pessoas assistindo e achando formas mais rápidas de fazer algo, e estamos todos juntos nisso. O Greyscalegorilla como um website era é isso, era aprendizagem.

Assim, tive uma ideia – pra eu mesmo usar no Cinema 4D-, e criei o Light Kit Pro. Na minha cabeça, nunca fui um grande compositor, nunca fui bom em fazer cenas 3D ficarem bonitas. Mas, meu amigo Chad Ashley, me lembrou de que eu era um bom fotógrafo; que eu entendia os conceitos de fotografia, de three points lighting, de rim light e todas as coisas que são necessárias para tirar fotos. Então pensei que se pudesse recriar as luzes de estúdio, que me eram confortáveis em fotografia; se pudesse recria-las no Cinema 4D, poderia usar os mesmos processos da vida real, aplicados a geometria 3D, resultando em algo similar. O problema é que não havia luzes realísticas dentro do C4D. Eu não podia simplesmente clicar e criar um soft box. Então tratei de aprender um pouco de Xpresso, o básico de codificação visual e como unir essas coisas para criar nosso primeiro produto como um profissional.

Essas duas coisas se juntaram em minha cabeça e pensei “bom, se tenho um produto que posso vender e que ajudará outros animadores e artistas 3D a fazer seu trabalho mais rápido; e ainda há pessoas querendo aprender Cinema 4D de qualquer forma – nós já temos essa comunidade toda -, porque eu não largo meu emprego por 1 ano?”. Pensei “deixe o emprego por 1 ano, se não funcionar posso voltar a qualquer hora para a indústria e trabalhar com Motion Design, conseguir clientes e etc.” Mas eu disse a mim mesmo “acredito que tem algo aqui e vou deixar meu trabalho por 1 ano e me dedicar integralmente a esse negócio de Greyscalegorilla…”. E, funcionou. A comunidade se juntou, começamos a criar outros plugins e realmente construir uma comunidade disposta a compartilhar e se ajudar. E nós simplesmente iríamos criar plugins para ajudar todas essas pessoas a trabalhar mais rápido. E, funcionou.

Fui capaz de trazer o Chris e, agora, Chad Ashley – a mesma pessoa que me disse há tanto tempo, e que foi um mentor pra mim, a mesma pessoa que disse “Ei, porque não cria um estúdio de iluminação?”, e agora ele trabalha aqui. Faz muito tempo desde aquilo, mas os objetivos do Greyscalegorilla continuam aqui, continuam os mesmos: ensinar o que sabemos e construir ferramentas que agilizam seu fluxo de trabalho.

É impressionante olhar pra trás e ver como tudo começou pequeno, e agora enxergar onde chegamos.

Aprenda os princípios imutáveis daquilo que você quer fazer. Se aprender Teoria das Cores, tipografia, design, técnicas de animação… Se aprender essas coisas elas serão parte de você por toda sua carreira.

RAPIDINHAS

LL – PC ou MAC?

NC – Ainda Mac.

LL – C4D ou 3ds Max?

NC – Cinema 4D.

LL – Trabalhar de dia ou de noite?

NC – No início de minha carreira, de noite, mas agora que estou envelhecendo, de dia.

LL – Pinball ou Football?

NC – Pinball, de longe, Pinball! É tão bom! Adoro esportes que não tenham caras de 200 quilos gritando e brigando enquanto tentamos jogar.

Última pergunta – Alguma dica para quem está começando com o Motion Design?

NC – Com certeza! Primeiramente, você precisa gostar disso, tem de mergulhar de cabeça. Não se esqueça que você vai competir com pessoas que amam o que fazem, e se você não tiver energia para ir fundo de verdade, não durará tempo suficiente para ficar bom. Segundo, esteja cercado de pessoas. Não aprenda no vazio, não fique apenas nos vídeos. Tenha certeza de sair e discutir esses assuntos com outros profissionais da comunidade, seja online ou em pessoa. E, novamente, pegue uns livros e aprenda com as pessoas que estão criando essas coisas. E por falar em livros, eis a terceira dica: aprenda os princípios imutáveis daquilo que você quer fazer. Se aprender Teoria das Cores, tipografia, design, técnicas de animação… Se aprender essas coisas elas serão parte de você por toda sua carreira. Em contraste com isso, sobre aprender novos softwares: eles sempre mudam, novas versões surgem, as coisas ficam obsoletas. Você precisa aprender o software para trabalhar, mas se focar sempre nisso não terá habilidades para fazer o projeto ser bonito. Então, o quanto mais rápido possível comece a aprender os fundamentos essenciais do que faz.

Se você quiser aprender mais sobre algumas coisas que pode fazer no início da carreira, te convido a assistir uma palestra que dei chamada Creative Gap.


O Layer Lemonade agradece imensamente a Nick Campbell pela participação! Agradecemos também a Jacqueline Mueller pelo contato prévio para a entrevista. Desejamos todo sucesso ao Greyscalegorilla, e que alcancem seus objetivos!

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