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Piores pecados: #2 Usa a imagem com marca d’água mesmo, depois substitui!

Há alguns meses passei um grande perrengue com um certo trabalho e até hoje não tenho muita clareza de como eu poderia ter evitado o problema. É a famosa situação “sinuca de bico”! Neste artigo eu conto o que aconteceu e faço algumas reflexões sobre o que aprendi, apesar da conclusão não ser muito clara. Não deixe de comentar se já passou por algo parecido e como você sairia dessa.

Eu fui chamado para fazer um trabalho que não tenho costume. Seria um projeto de colagens usando fotografias reais, nada muito diferente mas que eu, até então, nunca tinha feito. No caso, eu fui chamado pela produtora para fazer apenas a direção de arte do vídeo, as animações seriam feitas por eles internamente. Seria um vídeo de 2 minutos e o prazo era curtíssimo, menos de uma semana para fazer tudo.

Aí começam meus erros. Era a primeira vez que esta produtora me chamava para um freela e eu estava entusiasmado por ser um cliente novo (experiências passadas já haviam me mostrado que trabalhos para clientes como este podem resultar em vários outros no futuro). Dei um preço baixo por isso.

Já era difícil precificar por ser um estilo novo pra mim. Não sabia exatamente a dificuldade que eu teria. “Parece simples!” – pensei. Pedi um valor super “em conta” e mesmo assim eles ofereceram 60% do que eu queria. Aí vem a primeira lição que todos devemos aprender sobre um novo cliente: a forma com que ele lida com o valor do seu trabalho diz muita coisa.

Fuja de clientes que falam algo do tipo: “você é caro demais” ou “este trabalho é muito simples”. Está caro? Então ele tem total liberdade de procurar outra pessoa. Dizer que seu trabalho vale menos do que você acredita é desrespeitoso, especialmente se tratando de um freelancer que estão contratando pela primeira vez. E sabe porque existem clientes que ainda questionam preço e querem pagar o mínimo do mínimo? Porque existem profissionais que fazem esta besteira que eu fiz: aceitar.

Lógico, é fácil falar. Quando a gente tem contas para pagar e precisa de uma graninha extra, o buraco fica mais embaixo. Eu aceitei mas deixei muito claro: “Estou aceitando fazer por este valor porque é nosso primeiro trabalho juntos. Não espere o mesmo de mim da próxima vez.”

Recebi um roteiro muito bem escrito e organizado. Mas e aí? E as fotos que vão ser usadas para fazer as colagens? As imagens seriam compradas pelo cliente no Shutterstock, mas eu quem iria selecioná-las.

O roteiro era repleto de personagens e elementos diferentes e eu teria que encontrar as imagens necessárias. Percebi de cara que isso seria um trabalho demorado. Procurar fotos com as características exatas para atender ao roteiro pode levar tanto tempo quanto para animar uma cena do vídeo. Eu não contava que essa parte seria tão longa e exaustiva.

O prazo era muito curto. Fui instruído pela produtora a usar as imagens que eu escolhesse com marca d’água mesmo para fazer o design. Depois eu substituiria pela imagem em alta-resolução assim que o cliente aprovasse e autorizasse a sua compra. É isso mesmo! Era como fazer o mesmo trabalho duas vezes! Recortar as imagens em baixa e com marca d’água e depois recortá-la em alta-resolução.

Sim, eu poderia muito bem dar o trabalho como “entregue” mesmo com todas as marcas d’água. Mas neste caso, o animador teria que fazer de novo todos os recortes e se certificar que todos os efeitos que eu coloquei foram aplicados. Além de correr o risco de não ficar como planejei, o prazo não permitia que o animador editasse tudo de novo.

Bem, não tinha muita escolha. Prossegui. Na minha cabeça, eu poderia converter as imagens em baixa-resolução para Smart Objects no Photoshop e, quando eu tivesse a mesma imagem em alta, abriria o Smart Object e substituiria. Isso não funcionou muito bem por causa da diferença de tamanho entre a imagens.

Foi madrugada à dentro e muita chateação e estresse. No final deu tudo certo. Entreguei, eles animaram e eu recebi direitinho a mixaria que havia combinado.

Me pergunto qual teriam sido as atitudes corretas para evitar esses problemas todos. Com certeza, o mais importante teria sido cobrar um valor digno que considerasse o tempo que levei procurando imagens adequadas e todo o retrabalho que foi necessário

O ideal também seria que o cliente final aprovasse as imagens do banco de imagens fora do layout. A maior dificuldade disso é que o cliente teria dificuldades em julgar as imagens antes de vê-las aplicadas no design final, com todos os efeitos e edições necessárias.

Como diretor de arte, eu poderia bater o pé e dizer que toda a substituição das fotos e preparação dos arquivos para a animação seriam por conta da produtora. Isso é uma conversa que eu deveria ter tido no primeiro estágio da negociação do trabalho. Uma vez que não determinei cláusulas antes de começar, me vi numa situação em que, se eu não aceitasse fazer daquela maneira, estaria deixando o cliente na mão.

É óbvio que isso tudo mostra uma falta de responsabilidade e de gerenciamento por parte da produtora. Eles é que devem antever estas questões e considerá-las na negociação com o cliente final.

Depois deste projeto, a produtora passou a sempre me procurar quando precisam. O que nunca muda é: eles sempre querem pagar menos do que eu peço pelos trabalhos. Parece que depois que você aceita abaixar seu preço uma vez, já era! Sempre vão querer te pagar pouco.

 

 

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