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Animação não tem nada a ver com o programa que você usa

Depois de um bom tempo trabalhando com Motion Design e animação de personagens 2D rigados, comecei recentemente a estudar animação tradicional quadro a quadro. Esta nova experiência tem me gerado reflexões que queria compartilhar neste artigo.

A primeira sensação muito forte que tive, quando comecei a desenhar frame a frame é que eu tinha aprendido tudo na ordem errada. A animação feita em programas como o After Effects é e sempre foi uma alternativa automatizada para fazer animação tradicional. Aprender After antes de ter o conhecimento do quadro a quadro deixa uma enorme lacuna no entendimento sobre o que realmente é animação. Isso fica mais evidente ainda quando falamos de animação de personagens.

Antes de experimentar a animação tradicional, um conceito muito simples passava despercebido: que toda animação se trata de uma ilusão de movimento criada por várias imagens diferentes sendo exibidas consecutivamente. Parece muito simples, mas a produção automática de inbetweens gerada pelo After Effects nos faz esquecer disso!

Porque é isso que o software faz: nós escolhemos os quadros-chave, e ele “desenha” pra gente todos os outros frames. O que eu percebi, com os estudos de animação tradicional é que, mesmo se estamos animando com o After, precisamos ter um raciocínio de “quadro a quadro” para realmente entender o que estamos fazendo.

Como eu disse, na animação de personagem, isso fica muito mais evidente. Quando animamos um Walk Cycle em “Cut Out” (que é aquela técnica em que separamos as partes do personagem e fazemos a animação através da rotação destas partes), é muito comum ficarmos horas olhando para o movimento, sentindo que tem algo de errado, e sem saber exatamente o que fazer para arrumar.

A verdade é que, para descobrir onde está o problema, você vai precisar analisar quadro por quadro da sua animação e, muito provavelmente, o livro do Richard Williams, The Animator’s Survival Kit, vai ter a resposta que você procura (que é um livro que trata de animação tradicional).

Imagem do Livro The Animator’s Survival Kit de Richerd Williams. Esta imagem trata das posições das pernas em um walk cycle frame a frame.

A grande questão é a mentalidade. Você precisa entender que, independente do software que está usando para animar, quando você clicar em “renderizar”, o programa vai simplesmente salvar uma sequência de imagens estáticas e transformar em um arquivo de vídeo. E, o que todo um animador frame a frame sabe muito bem: cada frame é importante.

Por mais que ele passe extremamente rápido, em 1/24 de um segundo, no caso de uma animação de 24 fps, todo frame da animação é visto. Um único frame fora do lugar pode deixar o seu movimento estranho. E é essa mentalidade que temos que ter, independente da técnica de animação que usamos.

Aprender animação não tem nada a ver com aprender software. Aprender animação é aprender quadro a quadro desenhado a mão. É por isso que acredito que eu seria um a animador muito melhor se tivesse começado pelo tradicional. Isso me daria uma noção verdadeira do que a animação realmente é, e de como cada frame realmente é importante para o conjunto.

O que achou dessa reflexão? Faz sentido pra você? Deixe nos comentários!

Não posso deixar de dizer que tive todas estas ideias depois que eu fiz o curso do Paulo Pássaro, Frame a Frame Survival Kit.

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