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Sobre pular etapas

Este artigo é sobre uma reflexão que eu tive depois de ouvir uma live no Instagram, em que o Thiago Reginato (mais conhecido como Tipocali) estava contando algumas de suas experiências com alunos em seu curso de caligrafia. O Tipocali é uma das maiores referências do Brasil se tratando de caligrafia e Lettering e ele tem este curso online que atrai diversos perfis de alunos diferentes.

Naturalmente, a maioria dos que se inscrevem do curso são da área do design. Estudantes e profissionais que querem aprender ou se aperfeiçoar nesta sofisticadíssima arte de desenhar letras. Acontece que o Tipocali também recebe inscrições de pessoas de áreas distintas, fora do espectro criativo. Ele conta nesta live que, certa vez, um profissional de TI de inscreveu no curso disposto a mudar de profissão! O próprio professor, como não poderia ser diferente, alertou: “Vai com calma!”

A questão é que para alguém que não tem um background de design aprender uma habilidade como caligrafia, tem que dar vários passos atrás primeiro. Começar pelos fundamentos. Como aprender a desenhar letras sem, antes, entender sobre composição, equilíbrio de cores, espaço em branco e tudo o mais?

Tipocali conta que, na etapa em que ele pede para os alunos coletarem referências de letterings de outros artistas, já é possível identificar que alguns alunos precisam, antes de começar o curso, ter contato com alguns princípios básicos de design. O grande objetivo é que a pessoa, antes de mais nada, saiba identificar uma boa caligrafia de uma ruim. É impossível produzir o “bom” se você não sabe o que é. E os princípios ajudam nisso.

É possível que um profissional de TI mude de profissão e comece a trabalhar com letterings? Certamente é. Mas se ele pular direto para a caligrafia sem passar pelos princípios de design, as chances de sucesso são pequenas.

Acredito que é aí que está o gargalo que impede que muitas pessoas evoluam na profissão. Talvez seja necessário voltar aos princípios básicos. Se você trabalha com composição e produção de imagens de qualquer tipo (sejam filmes, animações ou peças gráficas) e não sabe o que é gestalt, algo está errado.

Portanto, pequeno gafanhoto, é melhor você ter certeza que sabe fazer uma bolinha quicando muito bem, antes de pular para animações mais complexas. É o que sempre defendemos no Layer. Quando aprendemos os princípios como composição, gestalt e teoria das cores, tudo pode parecer um tanto abstrato e dissociado da prática. Porém, estes são os fundamentos. Não dá pra construir um prédio sem uma fundação muito bem feita.

A capa deste artigo é de uma animação do Patrick Costa!

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