A volta

Desde o dia 12 de abril, a Inglaterra vem abrindo as possibilidades para o fim do lockdown. Uma saída bem mais regrada do que as anteriores e que foi bem esperada, mas que também está nos deixando um pouco ansiosos. 

Eu queria muito fazer algo, pra comemorar meu recomeço no motion e celebrar meu primeiro projeto exibido na televisão, mas queria ter certeza de que seria o mais seguro possível. Minha cidade, nas últimas 3 semanas só teve 12 novos casos e passou diversos dias sem novas mortes, então me sinto mais segura em sair por ali. 

No último final de semana, depois de 2 semanas da reabertura das salas de cinema, escutei o coraçãozinho disneymaníaco e cinéfilo e decidi ir ao cinema pós apocalíptico assistir Cruella (que filme!). 

Decidi passar na praia antes de ir ao cinema, afinal a sessão que eu ia era a última do dia: 20:15, e ainda ficaria sol até às 21:00.  Estava razoavelmente quente, então tinha descido bastante gente de Londres, o que me fez andar pra outra “ponta” da praia pra evitar aglomerações. Estava com medo, bem ansiosa com a quantidade de gente esperada na praia naquele dia (sábado), mas conheci um casal enquanto assistia adolescentes jogando basquete nas quadras públicas da praia.
Conversamos a uma distância adequada porque eu escutei eles falando em português e já puxei um “mas como é gostoso ouvir brasileiro falando!”, como a gente costuma fazer sempre – pra matar a saudade de casa, pra mostrar apoio, pra celebrar a nossa cultura. (Como já falei antes, o que ajuda o imigrante numa cultura tapioca distinta é ter uma certa proximidade com o natural pra ele e a gente vai formando nossos grupinhos bem chegados – mesmo que muito misturados, de gente que cria uma rede apoio pros momentos felizes e de crises).

Cheguei na praia às 18h, conversei com eles por quase duas horas e fui andando ao cinema – não queria chegar atrasada. Louca pra comer pipoca de cinema com manteiga, fui direto à bomboniere. Chegando lá, já com água na boca e cartão na mão, preparada para a pipoca mais cara da minha vida, levo um banho de água fria: a pipoca do cinema tinha acabado, minha gente. Varada de fome, mas agora pê da vida, decidi não pegar nada: bem criança mimada “não vai ter pipoca, então não vai ter nada também”. Já fui pra sala com aquele bico.

Chegando lá, sentei esperando o filme começar. Pro meu espanto: só eu na sala. Saí da sala, conferi o número, chamei o mocinho que estava trabalhando pelas salas, ele confirmou o número da sala e eu voltei a esperar no lugar marcado. Já sabia que teria menos gente, mas estava esperando que ao menos as 5 cadeiras marcadas de antes aparecessem. Iniciaram as propagandas que antecedem o filme, nada. Uma máscara em um 3D bem tosco pros momentos de espera: já sobe aquele embrulho no estômago – tava ali pra me distrair, mas também não tinha nem começado o filme é já tinha uma coisa dessas 3x o meu tamanho, estampada na minha cara. Mas acontece né? Nem toda animação de entrada de cinema é maravilhosa, q gente sabe disso.

O filme por sua vez estava fantástico: direção e direção de arte e fotografia sensacionais – bem estilo blockbuster americano (que é exatamente o que o filme é e o que eu mais precisava naquele momento). Assisti ao filme todo de máscara, sozinha numa sala só pra mim. E sendo sincera, por mais agradável que tenha sido, não sei se voltaria antes das coisas se normalizarem. Sinto falta da sensação e experiência coletiva que o cinema proporciona.

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