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O caminho do autodidata | Ctrl+Alt+N

Pode-se aprender Motion Design e Animação por conta própria? Sim, e não é de hoje que autodidatas surgem no ramo das Artes e são bem-sucedidos. Não é tarefa fácil, nem simples, mas há quem diga que vale a pena. Vejamos o caminho do autodidata e como esquivar das armadilhas e ilusões de se aprender algo por conta própria.

As vantagens do autodidatismo

Autodidatismo é o ato de estudar e adquirir instrução por si mesmo, dispensando a orientação de professores. – Dicionário Aurélio

Quais as vantagens de se aprender algo por conta própria? Nem sempre o autodidata é aquele ermitão que descobre coisas sozinho, do nada, sem ajuda externa. O autodidata, ao menos hoje em dia, pode ser aquele que aprende com ajuda de nossa amada internet. Toda informação do mundo passa diante de nossos olhos todo-santo-dia, então qual é o problema, qual é a dificuldade ou limitações de se aprender com a Web?

As vantagens do autodidatismo são bem óbvias, principalmente para aqueles – que como eu -, não se adequam ao ensino formal. E quando digo não se adequar, é simplesmente não gostar dos moldes ao qual somos obrigados a nos prender para que tenhamos instrução em dada área.

Então, a maior vantagem é o poder que temos de aprender algo na velocidade que quisermos, indo direto à fonte e, claro, de graça. Parece promissor, não é? E é mesmo, mas tem lá seus percalços.

As desvantagens

 

Se por um lado o autodidatismo dá a liberdade de parar e continuar como bem entender, por outro, essa liberdade é a maior dificuldade para quem tenta enveredar por esse caminho.

Não é fácil se sentar numa cadeira por 10 horas diárias, de frente para uma tela, assistindo horas intermináveis de tutoriais, dicas e o escambau, por conta própria. Nossa tendência é levantar e ir dar uma volta. Por isso, certos tipos de pessoas preferem o ensino formal, pois existe uma obrigação intrínseca de se comparecer a uma aula, coisa que, convenhamos, não se tem como autodidata.

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Além disso, o meio comum tem por preferência profissionais graduados, exigindo algum tipo de formação.

Então a maior desvantagem é a falta de incentivo. Por estar por conta própria, o autodidata tem por excelência a natureza do “se vira nos trinta”. Não há horários, não há regras, não há notas ou urgências – ao menos não de maneira curricular. E isso mina a vontade, desestabilizando o já complicado processo de aprendizado.

A disciplina e as metas; o tempo e o espaço

A palavra de ordem para alguém que quer aprender algo “sozinho” é disciplina. Isso não é dica fajuta de autoajuda, é a verdade fixa e final. Mas ser disciplinado não precisa fazer de você um lunático que passa todo o tempo do dia estudando. Não mesmo.

Minha experiência diz que a única coisa que precisamos é disciplina e metas. A disciplina serve para seguir metas, e as metas podem variar de muitas formas: desde assistir no mínimo a um tutorial por dia, sete dias por semana, a estudar oito horas diárias, sem mimimi em Facebook.

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Não é fácil, pois eu mesmo estava trabalhando e estudando ao mesmo tempo, mas consegui usar o tempo a meu favor. Esse aliás, é outro fator extremamente importante: o tempo. Com ele vem o espaço, que mesmo físico, é importante.

Aprender a dilatar o tempo que se tem é uma arte tremenda, e acredite, oito horas tornam-se 15. Mas o lugar – espaço -, em que se estuda é importante: ele traz inspiração, permite aprofundar sem interrupções? Se sim, é isso, se não, é hora de mudar de lugar.

Aprender é não-copiar, mas copiar é aprender

Então você está aí assistindo horas e horas de tutoriais, mas quer saber? Cuidado. Em geral, temos a tendência de copiar aquilo que aprendemos, e isso não serve caso queiramos ser dignos do título “bem-sucedido”. Contudo, copiar é o primeiro passo para entendermos, então não tenha medo de fazer um passo-a-passo sobre a técnica de alguém.

Há quem diga que nada é original, e que tudo que é criado é, de certa forma, uma cópia do anterior, mesmo parecendo original. Essa “verdade” pode ser libertadora, mas é bom termos certo cuidado para não a levarmos ao pé da letra.

Desmembrar o trabalho alheio é uma ferramenta bacana para se entender técnicas e processos. O cuidado que o artista autodidata precisa ter é simples: copie, mas não use. Aprenda através da cópia, mas não use a cópia como sua. Se você aprendeu algo copiando alguém, crie novidades a partir daquilo.

O passo final para ser bem-sucedido

Isso é mentira, não existe passo final. Estamos sempre aprendendo, a todo momento! É uma tarefa sem fim, que vai levar a vida toda e mais um pouco… Bem mais.

Então, não tenha pressa, seja paciente e disciplinado. Mas tenha em mente que se pode ficar bom, muito bom, sendo autodidata. Em verdade, pode-se ser até melhor do que muitos artistas embasados no ensino convencional, mas isso depende de cada um.

O mais interessante sobre esse caminho do autodidatismo é que se chega a um ponto em que, invariavelmente, precisa-se de algum tipo de ensino formal. Isso ocorre por um motivo bobo, mas essencial: o conteúdo da internet é fragmentado. Isso faz com que aprendamos de maneira dividida, para que depois misturemos tudo e façamos dos pedaços, técnicas avançadas.

Algumas coisas, no entanto, não se têm acesso na web. Por isso, precisa-se “apelar” para cursos específicos ou escolas especializadas, o que nem de longe, é ruim.

Mas não se preocupe, quando você chegar ao ponto de precisar dessas coisas, já estará apto a ensinar outras.

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