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O caminho para a especialização

A minha trajetória pessoal no Design tem, naturalmente, me levando ao caminho da especialização. Este artigo é uma reflexão sobre como eu venho descobrindo o meu caminho profissional e porque eu acredito que todo motion designer tende a se tornar um especialista com o tempo.

Eu me formei em design, e como (quase) todo curso superior, a gente aprende só um pouquinho de uma porrada de coisas. Tipografia, editorial, design de interfaces, branding… são diversos os campos de atuação quando você se torna um designer gráfico.

Mas, desde o começo eu já me interessei em ver meu design animado! Também gostava muito de infografia – área também abordada no curso. Daí comecei a pensar que meu caminho na área fosse a animação que explicava coisas.

Daí fui estudar infográficos mais a fundo e descobri que a infografia tinha uma relação muito próxima com a programação! É verdade. Os infográficos, muitas vezes, lidam com uma grande quantidade de dados e precisam transformar números em informações visuais. Era algo que me afastava da vontade de me especializar em infográfico. A ideia de estudar linguagem de programação não me agradava.

Mas o meu pé na animação continuou firme, apesar do meu primeiro emprego depois de formado ter sido em uma agência de publicidade, onde eu trampava como um designer bem generalista. Fazia de tudo, mas sempre voltado para o impresso – bem distante do motion.

Daí, minha saída foi fazer alguns trabalhos como freela, onde focava no Motion Graphics. Fiz alguns explainer videos para alguns clientes, cobrando bem pouco. Até então eu só usava o After Effects.

Rapidamente ficou claro que eu também precisava dominar algum software 3D para me destacar como Motion Designer. Então comprei um curso de Cinema 4D e aprendi o básico. A complexidade e o workflow do C4D eram bem diferentes do que eu já dominava no After. Aí se abriu mais um leque de possibilidades dentro do mercado do motion: animação 3D, texturização, iluminação, render, rig… Até aí, eu era um super generalista. Sabia só o básico de cada coisa.

Aí que está o ponto que gostaria de destacar.

É muito importante experimentar um tanto de coisas diferentes para ir descobrindo o que você gosta mais.

Depois de passar por isso tudo, é que comecei o processo de especialização.

Muito recentemente experimentei a animação frame a frame para agregar ao meu workflow. Sempre gostei de animar personagens, desde os primeiros freelas que eu fiz quando trabalhava na agência e mesmo antes de saber da existência do Duik. Eu animava na unha! Animando rotação e position de cada parte do corpo.

Mesmo já sabendo fazer rig no Duik, eu percebi, rapidamente, que com animação frame a frame minhas animações de personagens eram muito melhores! E também não era tão difícil como eu imaginei que seria, antes de experimentar a animação tradicional.

Naturalmente, fui evoluindo muito na animação 2D – que eu fazia muito mais – e permanecendo no básico do 3D. Foi então que, no Anymotion do ano passado, conversei com o Fábio Acorsi em um portfólio Review. Analisando meu trabalho ele me disse que eu era muito bom em usar o 3D para fazer coisas com estética 2D, e que deveria focar em animação bidimensional.

Na verdade o Fábio confirmou algo que eu já tinha em mente a mais tempo: que o 3D deveria ser uma skill secundária na minha carreira, já que estava muito mais avançado no universo do 2D.

E a animação quadro a quadro, pela qual eu já havia me afeiçoado, surgiu como solução clara para fechar as lacunas que a animação 2D no After Effects me impunha.

Agora, pela primeira vez na minha carreira, encontrei um foco. Estou me aperfeiçoando em frame a frame e quero usar esta técnica cada vez mais, a caminho do funil da especialização.

É claro que, principalmente no Brasil, ser generalista é importante para garantir seu ganha-pão. Mas minha teoria é de que, quando você tem muito tempo de profissão, suas aptidões vão se revelando e, naturalmente, você vai caminhando para ter uma especialidade, mesmo que continue sendo um profissional generalista.

É também unânime a ideia de que um trabalho especializado tende a valer muito mais financeiramente do que o trabalho de alguém que faz de tudo. Portanto, é um caminho que acaba sendo mais lucrativo também.

Conclusivamente, eu diria que sim, você tem que expandir seus horizontes antes de focar em alguma área em particular. Se você é iniciante, vai fundo e tenta aprender o máximo que conseguir. A decisão de qual área adotar como favorita vai surgir muito naturalmente. Quando você menos esperar vai notar que já se tornou um especialista!

A capa deste artigo é do meu último estudo de animação frame a frame!

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