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Papo Lemonade com Rodrigo Rodrigues (RodRod)

Rodrigo Rodrigues, mais conhecido como RodRod, é um motion designer e artista 3D, que atualmente reside em São Paulo e que tem muitas histórias pra contar, larga experiência para compartilhar e uns toques generosos para quem está começando a estudar e trabalhar em nossa área. Conversamos com RodRod sobre como é trabalhar no exterior, os prós e contras de ser um freelancer no Brasil e um tanto de outras questões que nos dão um panorama rico da nossa realidade de mercado atual no país.

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Layer Lemonade – RodRod, primeiramente, muito obrigado por compartilhar seu tempo e conhecimento conosco. Seja bem-vindo ao Layer Lemonade! Conte-nos um pouco da sua história, onde você nasceu e cresceu, quais foram suas influências na infância / adolescência e quando você percebeu que se tornaria um Motion Designer?

Greetings, me chamo Rodrigo, nasci e cresci no calor escaldante de Maceió, Alagoas. Na infância, com meu primeiro computador, era um entusiasta do mIRC, das redes e de todas as novidades de quando a internet só tinha mato. Me formei em Análise de Sistemas, almejando trabalhar com administração de redes. Porém, mais ou menos ao final do curso, em 2007, um conhecido que trabalhava com marketing me mostrou o demoreel “Jealousy”, do PauloBlob, um motion designer maceioense que então trabalhava em um estúdio nos EUA. Aquilo explodiu minha cabeça: várias imagens com muito movimento, partículas e 3D. Foi aí que eu conheci o termo motion design e vislumbrei todo o caminho que gostaria de trilhar, passando a falar unicamente sobre isso com meus amigos mais próximos, ao ponto de deixá-los irritados. Paralelamente ao curso de Análise de Sistemas, segui estudando em casa After Effects e Photoshop. Naquela época não existia muito conhecimento teórico, então comecei focando nas ferramentas comumente utilizadas. Logo após me formar, comecei a trabalhar em uma produtora de vídeo local, com um demoreel feito apenas com projetos pessoais e estudos. Em 2009, com 22 anos, me mudei para São Paulo para trabalhar na agência de conteúdo NewContent, que, naquela época, fazia parte do grupo de comunicação NewComm. Um tempo depois, trabalhei em outra agência, a Flag.cx. Em 2014, decidi saltar para a incerteza constante, que é a vida de um freelancer.

LL –  Você é motion designer e artista 3D freelancer. O que te motivou a ser freelancer ao invés de trabalhar fixo numa produtora?

Não ter hora para acordar ou dormir, ter a possibilidade de trabalhar para diferentes projetos e pessoas e, claro, a possibilidade de faturar mais do que em um trabalho fixo. Sou grato por estar concluindo mais um ano deste modo.

LL – O que é necessário para ser um freelancer bem sucedido?

Não é fácil ser freelancer. É exigida muita atenção, inteligência emocional e financeira. Trabalha-se mais, pois além da função criativa, é necessário lidar com toda a carga burocrática de ter uma microempresa. Além disso, é preciso ser uma pessoa fácil de conviver e capaz de resolver de forma objetiva o problema de quem te contratar, sem causar maiores transtornos – quem te contrata tem os próprios problemas, não quer se deparar com mais um. Na máquina, seja uma engrenagem lubrificada, e não enferrujada.

LL – Uma das questões mais discutidas em nossa comunidade é “como ser produtivo”. O que você pode nos contar sobre isso? Você tem alguma técnica para ser produtivo?

Eu testei diversos apps e sites para manter o controle das minhas tarefas. O que mais me adaptei e uso diariamente é o todoist.com. No final da semana, você consegue ver quantas tarefas concluiu e ter uma boa noção da produtividade. Utilizo uma extensão para bloquear o feed do facebook “News feed eradicator for facebook” e bloqueio sites de notícias “website blocker” quando desejo um maior foco, pois às vezes me pego digitando mecanicamente uma URL. Apelo também para uma música bem repetitiva sem ser cantada, experimente escutar o minimal techno do Boris Brejcha para intensificar o foco. Quando há uma brecha entre os trabalhos, tento aprender algo novo. Ponho em prática o conhecimento em um projeto pessoal de curto prazo, como uma capa de disco ou um poster.

LL – Você fez um trabalho autoral muito massa “As above, So below”. Qual a importância de desenvolver projetos pessoais para o desenvolvimento técnico/criativo de um motion designer?

Como disse o Marcel Ziul, em sua passagem no Anymotion 2017,os clientes vão te contratar e te chamar pra fazer trabalhos similares aos que você tem no seu portfólio. Fazer um projeto pessoal é gritar aos quatro ventos: me chamem pra fazer algo parecido com esse meu projeto, eu sei fazer. É um processo essencial para treinar novas técnicas, expressar ou divulgar um tema de interesse para o mundo, além de uma peça de autopromoção e visibilidade. Foi durante esse projeto que eu comprei o ótimo motor de partículas X-particles para o Cinema4D. Além disso, você aprende muito sobre sua capacidade de concentração, disciplina e motivação.

LL – Onde você costuma buscar inspiração para seus trabalhos? Quais são suas maiores influências no mundo da animação/motion/3D/arte?

Primeiramente na música, como condutor de uma emoção. Ando escutando muito Dark wave e Ethereal wave, que são sons atmosféricos com vozes femininas enevoadas com uma forte influência medieval, usualmente expressando temas como a Morte, o Tempo e a Solidão. Ultimamente, tenho sido influenciado pelo trabalho da dupla francesa Seth Ickerman, com sua iluminação exagerada, seus símbolos profanos, a luxúria e o bom humor. Os trabalhos inspiradores do Raoul Marks. ManvsMachine destruidora de autoestima. Quando ocorre algum pensamento de vaidade exacerbada de minha parte, acesso este site: https://mvsm.com/

LL – Você trabalha com clientes gringos? Pra você, qual a diferença do mercado nacional e estrangeiro?

Sim, trabalho. Na maioria dos casos, maior verba, tempo de execução e organização. A informação do que eu tenho que executar chega pra mim bem detalhada e clara, pouca margem de erro. Em trabalhos maiores normalmente tem um período de R&D ( pesquisa e desenvolvimento), um período para viabilizar técnicas e soluções. No Brasil, isso é quase inexistente, pois o trabalho já inicia com um prazo super apertado, em vista do modelo tradicional das agências de publicidade daqui. Tem um ótimo podcast do B9 sobre esse tema: Quem vai salvar as Agências de Publicidade?

LL – Você tem vontade de trabalhar fora do país? Se sim, pra onde você iria e porquê?

Atualmente, não. Realizei esse desejo quando trabalhei em Los Angeles para a STATE Design, em 2015. Foi um aprendizado técnico e pessoal enorme, desenvolvi bastante o inglês, convivi com pessoas de diversas culturas e expandi muito o conhecimento para trabalhar em projetos gigantes com muitas entregas, como foi o NFL2015. É preciso dizer, porém, que há suas dificuldades, como as diferenças culturais, o sentimento de não pertencimento, a distância dos familiares. Graças à internet de boa velocidade, é possível trabalhar para qualquer lugar do mundo, daqui de São Paulo mesmo, fazendo entregas com gigas de tamanho. Além disso, o aplicativo Slack ajuda muito a comunicação entre a empresa e o freelancer remoto.

LL – Você acha que uma formação acadêmica é necessária para ser um bom motion designer?

Não acho indispensável. Atualmente não faltam canais, sites, cursos e treinamentos com gente muito capacitada e com valor acessível. Porém, com tanto conteúdo disponível, o estudante pode se sentir perdido, sem saber por onde começar. Se eu pudesse voltar no tempo, gostaria de ter feito uma faculdade de arte e design, para uma maior base conceitual e teórica.

LL – Ser freelancer requer que você faça tanto o papel de atendimento ao cliente quanto o de criação. Como você gerencia seu tempo para produzir, atender clientes e ainda ter uma vida pessoal?

Trabalho para diferentes países, cada projeto acontece em um fuso diferente. Los Angeles são 4 horas no passado, chegando a 6 horas quando coincidem os horários de verão daqui e de lá. Inglaterra são 4 horas no futuro. Como optei por priorizar os trabalhos de fora, o desajuste com o horário do Brasil é uma consequência com a qual consigo lidar bem. Não costumo sair muito,se eu estou em casa, estou trabalhando em algum projeto. Gerenciar o tempo é uma tarefa árdua, como estamos sempre disponíveis em diversos aplicativos, as requisições chegarão a todo instante. É necessário saber classificar qual tarefa é urgente, fragmentá-la em tarefas menores e considerar prazos realizáveis. Evito ficar alternando entre tarefas criativas e tarefas de atendimento. Separo as primeiras horas do dia para resolver as tarefas burocráticas, responder emails, preparar orçamentos ou apresentações.

LL – Que aspecto da sua profissão você mais gosta? Existe algum tipo de projeto que você ainda não teve oportunidade de trabalhar mas tem muita vontade de fazer parte?

Gostaria de trabalhar na abertura de alguma série de TV. A HBO investe bastante em aberturas e eu, por exemplo, nunca pulo a abertura de Westworld. Devo direcionar meu próximo projeto pessoal para conquistar esse objetivo.

LL – Qual seu processo ao abordar um novo projeto?

Falando dos meus projetos pessoais, sou bem caótico. Maximizo a experimentação não seguindo as etapas de produção, vou alterando tudo ao mesmo tempo, um vai e vem de corte na edição, testes de luz e render misturados com efeitos no AEO que me guia é que eu escolho um sentimento pra ficar imerso na hora da produção. A música sempre no fone ajuda a manter a sintonia desejada.

LL – Sabemos que em nossa área muitas vezes trabalhamos com prazos curtos e situações complexas. Qual é a pior situação que você já teve ao aceitar um projeto?

No início da carreira a gente se mete em todo tipo de roubada, quando tudo é uma novidade e aprendizado. Já trabalhei mais de 36 horas seguidas, dormi em sofá de produtora e virei o ano trabalhando. Graças à experiência adquirida, hoje consigo antever a dor de cabeça de um projeto antes de aceitá-lo. Constrangimentos na hora da apresentação final de um projeto podem ser a pior situação de um motion designer. Para evitar eventuais erros, executo calmamente uma conferência ao final, por mais urgente que a entrega possa parecer. Como dizem nos EUA: “QC” Quality Control.

LL – Quais são os softwares que você utiliza na sua pipeline? E qual seu preferido?

Gosto muito de fazer a montagem final de cada projeto, para isso utilizo o After Effects. Se envolve 3D, uso o Cinema4D com o renderizador Octane. Dificilmente abro o photoshop. Toda montagem de frames ocorre diretamente no AE. Utilizo Indesign para preparar o pdf de apresentação para o cliente.

LL – Qual mensagem poderia deixar para os nossos leitores que estão começando agora nesse mundo da animação e motion design?

Antes de tudo, se ainda não fala ou entende inglês, comece a estudar agora, para ampliar as fontes de conhecimento. Hoje em dia está muito fácil aprender com YouTube ou apps como o Duolingo. Motion Design é um termo que engloba diversos estilos e técnicas. Inicialmente conheça um pouco de tudo e depois perceba quais trabalhos te fazem arrepiar, para assim poder escolher em qual estilo se especializar. Saber o que não gosta também ajuda para o trabalho não se tornar um martírio. Eu, por exemplo, fujo de Walk Cycles e de animação de personagens.

RAPIDINHAS:

LL – Mac ou Pc? PC sem dúvida.

LL – Trabalhar de noite ou de dia? Dormir de dia e acordar de noite é comum.

LL – 12, 24, 30, 60… um frame rate preferido? 30fps.

LL – Fim de semana é para…? Fazer um dinheiro extra.

LL – 2D ou 3D? in Octane We Trust!

LL – Limonada ou café? Muitas cápsulas de arpeggio por dia, aquele roxinho.

Se quiser ver mais trabalhos desse artista excepcional, entra em seu site rodrod.tv ou em seu vimeo!

Valeu demais, RodRod, pela sua atenção e generosidade de nos conceder essa maravilhosa entrevista! Nós do Layer Lemonade esperamos esbarrar muito com você por ai! Obrigado, meu caro!

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