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Qual seu estilo?

Essa é uma tradução livre de um artigo publicado pelo Motionographer em 13 de agosto de 2018.

QUAL SEU ESTILO?

Num mundo onde tudo está disponível, onde as fronteiras não são um problema, onde podemos ter acesso aos trabalhos dos maiores estúdios do mundo, parece que fica mais fácil criarmos e estabelecermos um estilo próprio, não é? Há controvérsias!

Marcel Ziul, diretor de criação da State Design, fala nesse artigo, sobre os dilemas que passou para desenvolver e manter a autenticidade de seus trabalhos na State.

PERSPECTIVA INCOMUM

Independentemente de quão talentoso é um novo estúdio, todos nós sentimos que temos que provar nosso potencial para o mundo.

Eu me lembro de quando começamos, decidi ver cada projeto como uma oportunidade. Todo projeto, seja grande ou pequeno, foi uma chance de construir nosso portfólio.

É claro que manter os lucros é essencial para qualquer estúdio, mas, para mim, é fundamental perceber que dinheiro não é tudo. No meu caso, sempre achei que todo projeto tinha que nos levar a algo mais. Você fez um projeto? Ótimo. Agora, com quem você pode compartilhar para ter um feedback e ter a oportunidade de melhorar?

Depois de cultivar essa cultura de pensamento na STATE, aqui estamos quatro anos depois.

Algumas pessoas podem pensar que ter/ser um estúdio de sucesso é ter uma centena de funcionários ou um escritório de 10 mil metros quadrados. Para mim? NÃO! Eu sempre soube, uma vez que você fica grande, é como dar vida a um Godzilla: você pode passar o tempo todo alimentando a fera, mas uma hora ele sucumbirá. E quanto maiores eles são, mais propício ao tombo.

Olhando para trás, posso dizer que, embora nem sempre tenha sido fácil, seguimos o plano. Ficamos focados no ponto essencial, e até agora evitamos ficar grandes demais e perder a alma nesse processo.

ENCONTRANDO O CORAÇÃO

Como diretor de criação, é minha responsabilidade manter todo mundo motivado em cada projeto, para que possamos explorá-lo ao máximo. É um grande desafio fazer isso de forma consistente, sabendo que temos que manter a qualidade e a criatividade que tivemos no último projeto. É uma grande responsabilidade.

Minha prioridade principal sempre foi desenvolver uma alma própria para o estúdio. Eu desejava que todos – nossa equipe, nossos clientes e nossos freelancers – de alguma forma se sentissem conectados a ela.

Mas, como manter as pessoas sempre motivadas? Isso é possível ou mesmo sustentável? A maioria dos criativos tende a ficar entediados se repetem demais um tipo de trabalho, então explorar faz parte do nosso DNA. Normalmente, sou obcecado em fazer algo que nunca fiz antes. É uma mistura estranha de medo e excitação ao explorar o desconhecido.

CONSCIÊNCIA

Mas eis que, era uma linda tarde de quarta-feira. Eu estava trabalhando em um conceito para um projeto muito legal que acabara de chegar. Eu me vi preso em uma tendência visual. Eu me senti entediado. Eu olhei pra trás e comecei a me questionar. Por que eu estava estagnado? Percebi que estava tentando automatizar meu processo criativo. Minhas referências foram as mesmas do último projeto. WTF! Eu estava me perdendo em um ciclo criativo vicioso que me propus a evitar.

Há alguns anos, era possível contar nos dedos os estúdios famosos na cidade. Tenho certeza que os outros estavam tentando divulgar seus nomes, mas poucos conseguiam. Foi uma luta diária para fazermos nosso próprio nome.

Avancemos para 2018. Com o boom das redes sociais, todos começaram a anunciar e postar online. Os estúdios conseguiram obter exposição com pouco ou nenhum dinheiro. O infeliz efeito colateral foi que, quanto mais fácil se promover se tornou, mais ruidosa ficou a comunicação.

Para entender isso, tirei print da home page de cinco estúdios fodas e notei que todos pareciam iguais.

EMBOSCADA X SAÍDA

Percebi que estava caindo na mesma armadilha criativa. O problema era simples: as pessoas tendem a copiar umas às outras e o resultado é – adivinhou – uma “tendência”.

Olhe em volta e pense em quantos caminhões de taco você conhece. Quantos cafés “melhores” existem na cidade? As empresas copiam as fórmulas de sucesso de outras empresas na esperança de alcançarem um sucesso semelhante. É a natureza humana.

Isso realmente me impressionou porque eu sabia essa não era a STATE ou minha intenção. Eu tive que mudar minha mentalidade para sair da minha zona de conforto. Era hora de me sentir confortável com o desconforto novamente. Foi aí que as coisas começaram a voltar aos trilhos.

Alguns meses depois, estávamos prestes a relançar nosso site. Já faziam quase dois anos desde a nossa última atualização. Preparamos tudo: projetos, Reel, cópias, etc. Passamos horas e horas escolhendo a melhor thumbnail para cada projeto. (Quem não?!?) A meu ver, os clientes percebem o quão bem você cuida da sua marca, porque isso revela o quanto você está cuida bem deles também.

Na semana anterior ao lançamento, minha sócia Tais Marcelo me deu um livro chamado “The Missing Piece”(o pedaço perdido), de Shel Silverstein. A história é sobre um Pac-man que rola ao redor da Terra procurando por seu pedaço perdido, para se realizar. O círculo pára ao longo do caminho para cheirar as flores, se meter em confusões e cantar canções. Alerta de Spoiler: O círculo acaba encontrando sua peça perdida e descobre que a vida não é perfeita. A peça e o círculo se separam e o círculo continua em sua jornada. É uma história simples sobre como a felicidade geralmente vem da busca da felicidade em si, dos processos que vivemos.

Essa mensagem foi o que eu precisava. Eu estava prestes a lançar um site mostrando dois anos de trabalho! Foi fundamental que eu comunicasse o cerne do estúdio: nossa pesquisa interminável para encontrar nosso próximo estilo.
COMPARTILHAR
Eu sabia que não poderia divulgar nosso site apenas dizendo: “Ei, confira nosso novo site!”, como todo mundo faz. Ninguém se importaria.

Em vez disso, queria comunicar nossa alma, como pensamos e como estamos nos esforçando para evoluir continuamente. Precisávamos criar um espaço para comunicar nosso ethos (valores, ideias, crenças).

Então nós fizemos! E nós lançamos esse Reel!

Nossa definição de sucesso se expandiu. Era menos sobre um número em nossa conta bancária e mais sobre o constante processo de descoberta. E a capacidade de escolher os projetos pelos quais somos apaixonados. Nem sempre é fácil, mas é como nos mantemos engajados e motivados nos trabalhos que estamos fazendo.

Há algo de especial quando conseguimos passar nossa mensagem, que transmite nossa alma, nossa voz e nossa atitude.

“Understated” nasceu para esse propósito, para mostrar ao mundo quem somos e fazer com que as pessoas pensem em como a jornada para todos encontrar – ou não encontrar – seu estilo é algo único e pessoal.

CRÉDITOS:

Creative Director: Marcel Ziul
Executive Producer: Alex dos Santos
General Manager: Tais Marcelo
Producer: Krissy Estrada
Art Direction: Marcel Ziul,
Designers: Arpine Alexanian, Janice Chang, Marcel Ziul, Nataly Menjivar, Luis “Lucho” Suarez, Mau Borba, Ricardo Perosa
2D Animators: Luis “Lucho” Suarez, Ricardo Perosa, Marcel Ziul, Alicja Jasina
3D Animators: Mau Borba, Marcel Ziul, Tyler Heacox, Rodrigo Rodrigues
Cel Animators: Lyuben Dimitrov, Danni Fisher-Shin, Connie Chan, Song Kim
Sound Design: Combustion Studio
Copywriters: Jameson McLeod & Brittany Poole
Voice Over: Beau Stephenson

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