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Um olhar honesto sobre a vida de Freelancer | por Liam Clisham

Essa é uma tradução livre do artigo “An Honest Look at Freelancing as a Motion Designer”, publicado originalmente por Liam Clisham, no School of Motion.

Para muitos de nós, ser um Motion Designer freelancer é um grande objetivo, mas como realmente é ser um freelancer full-time? Neste artigo, Liam Clisham compartilha o que aprendeu em dois anos como freelancer.

“Quando você está freelando, pode escolher se você quer ou não aceitar um projeto. Não precisa responder a ninguém. Você não tem que se envolver com políticas de empresas. Você pode tirar um dia de folga quando quiser. Você escolhe mudar a direção da sua carreira quando quiser. Mas, claro, o lado ruim disso tudo é a incerteza.” – Lilian Darmono no Motion Hatch Podcast 001

Esta fala de Lilian Darmono praticamente resume o que é ser freelancer.

Os prós superam muito os contras, mas a incerteza está sempre presente. As incertezas vão desde se um trabalho vai valer a pena ou não, até se você terá ou não um longo período sem trabalho. Vamos ter uma conversa honesta sobre a realidade de um Motion Designer freelancer.

Responsabilidade e flexibilidade.

A cerca de três anos, quando comecei a ser freela, eu acordava super animada. Sabia que não precisaria dirigir por duas horas até um trabalho que provavelmente não estava me levando a lugar nenhum ou ajudando minha carreira. Isso era incrível.

No início, toda manhã começava com um trabalho que eu tinha escolhido fazer. Se eu não tinha um grande projeto, eu poderia passar o dia prospectando clientes ou estudando alguma coisa.

Mas lá pelo terceiro mês a realidade veio à tona.

Ser freelancer é uma ótima oportunidade de administrar sua própria vida, mas também significa gerir um negócio próprio. Tinha ficado claro que ser freela agora era meu trabalho fixo. E eu era o encarregado por tudo.

Se eu quisesse manter meu padrão de vida sem ter um patrão me demandando trabalhos que eu não queria fazer, eu teria que arrumar meus próprios trabalhos (que, às vezes, eu também não quero fazer) e sempre garantir um padrão de qualidade nas minhas entregas.

Ainda tenho que manter um relacionamento legal com os clientes,  para que eles me passem mais trabalho. Esta vida tem um lado muito bom, mas as incertezas às vezes podem ser paralisantes.

Tio Ben dizendo sua famosa frase para o Homem-Aranha: “Lembre-se, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”

Sábio Tio Ben! Você vai ganhar mais dinheiro e ter mais flexibilidade, mas sua responsabilidade também cresce muito.

Ser freelancer é ter uma pequena empresa

Mesmo você sendo uma única pessoa, continua sendo uma empresa quando é um freelancer.

Estou constantemente mudando de papéis. De diretor criativo para animador, de vendedor para administrador. Quando você tem um emprego assalariado, você apenas tem que fazer seu trabalho bem feito para não ser demitido. Alguns dias eu gastava três horas escrevendo e-mails, controlando receitas ou saindo para reuniões presenciais com clientes. Outros dias, quando tinha menos trabalho e as engrenagens estavam girando corretamente, podia assistir a horas de tutoriais. A pior parte de ser freelancer é ter a mentalidade de que você agora é dono de um pequeno negócio. Você não vai só trabalhar nos seus projetos legais o tempo todo.

O lado bom de ser freelancer

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O dinheiro

Se você leu o The Freelance Manifesto (livro do Joey Korenman, que todo freelancer deveria ler – pena que só existe em inglês) ou se viu a pesquisa abaixo, de 2017, você sabe que como freela você pode ganhar bem mais.

Aqui estão a média de ganhos de empregados x freelancers. De cima pra baixo: o maior ganho anual total; o maior ganho anual por dia; o maior ganho anual por horas. Esta é uma pesquisa feita em 2017 pelo School of Motion que entrevistou mais de 1300 Motion Designers nos Estados Unidos.

Claro que a maioria dos trabalhos caros são trabalhos corporativos ou de varejo que você provavelmente não vai colocar no seu show reel.

Liberdade Criativa

Como freela eu posso equilibrar minha vida entre trabalhos que pagam as contas e trabalhos que vão desenvolver meus músculos criativos e gerar um bom portfólio. Você sabe, os trabalhos que brilham no seu portfólio como o relógio do Frava-flav.

Estes trabalhos super criativos normalmente não pagam as contas. A internet é muito boa em nos mostrar apenas os trabalhos maravilhosos que são feitos, mas até estúdios como a Buck e Giant Ant tem que pegar trabalhos de varejo para pagar as contas.

Sendo freelancer, você tem a oportunidade de fazer trabalhos que você realmente quer, ao invés de estar em um emprego que te faz escalar uma montanha para chegar lá no topo e perceber que não era exatamente a montanha que você queria subir.

Sim, os projetos super criativos podem pagar pouco, mas poder escolher entre aceitá-los ou não já é uma grande vantagem.

Os melhores projetos que fiz neste tempo como freelancer foram por conta própria, quando não tinha trabalho.

A emoção de ver um cliente satisfeito

A emoção de prospectar um novo job! Eu literalmente fico emocionado só de lembrar dessa sensação. Não tem nada melhor do que apertar a mão do seu cliente e saber que você já pode começar um novo trabalho.

É ótimo quando o seu cliente diz: “Queríamos que você fosse fixo aqui na nossa empresa! Nós precisamos de você!”. Se você entregar mais do que promete e tiver um bom relacionamento, o cliente vai se apaixonar por você. Você vai ser a primeira pessoa que eles vão chamar quando um job aparecer.

Claro, cada cliente é diferente. Às vezes, mesmo fazendo tudo isso, o cliente desaparece depois de um projeto e você pode nunca mais ouvir falar dele, mesmo depois do trabalho bem feito. Este é um mistério difícil de solucionar.

 

A imagem de capa deste artigo vem do portfólio da Five-31, empresa atual do autor deste artigo.

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